Aleitamento materno na primeira hora depois do parto pode reduzir a mortalidade infantil
No Brasil, do total de mortes de crianças com menos de 1 ano, quase metade ocorre na primeira semana de vida
Nova Iorque, 1º de agosto de 2007 – Amamentar os bebês imediatamente após o nascimento pode reduzir consideravelmente a mortalidade neonatal (a que acontece até o 28º dia de vida) nos países em desenvolvimento, disse o UNICEF no início da Semana Mundial de Aleitamento Materno, que é celebrada todos os anos de 1º a 7 de agosto em mais de 120 países, entre eles, o Brasil.
Um estudo realizado em Gana e publicado na revista médica Pediatrics indica que é possível evitar 16% das mortes neonatais por meio da amamentação desde o primeiro dia de vida da criança, taxa que pode aumentar para 22% se o aleitamento materno começar na primeira hora depois do parto. O início da amamentação logo depois do nascimento é o tema da Semana Mundial de Aleitamento Materno deste ano.
“Mais de um terço das mortes infantis ocorre durante o primeiro mês de vida”, disse a diretora executiva do UNICEF, Ann M. Veneman. “A amamentação logo após o parto proporciona nutrientes fundamentais, protege os recém-nascidos de doenças fatais e estimula o crescimento e o desenvolvimento.”
O tema é especialmente relevante na África ao sul do Saara, onde se registra a mais alta taxa de mortalidade infantil do mundo. Cerca de 10% de todos os bebês morrem antes do 1º aniversário, e a maioria das mortes neonatais ocorre em casa. Embora a taxa de aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade tenha mais do que dobrado nessa região desde 1990, chegando a 30%, ainda há centenas de milhares de crianças vulneráreis a doenças e à morte.
No Brasil, do total de mortes de crianças com menos de 1 ano, 65,6% ocorrem no período neonatal e 49,4% na primeira semana de vida.
O UNICEF calcula que o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida pode evitar, anualmente, 1,3 milhão de mortes de crianças menores de 5 anos. Os bebês até os seis meses de idade não precisam de chás, sucos, outros leites, nem mesmo de água. Após essa idade, deverá ser dada alimentação complementar apropriada, mas a amamentação deve continuar até o segundo ano de vida da criança ou mais.
O aleitamento materno na primeira hora de vida é importante tanto para o bebê quanto para a mãe, pois, auxilia nas contrações uterinas, diminuindo o risco de hemorragia. E, além das questões de saúde, a amamentação fortalece o vínculo afetivo entre mãe e filho.
Para a mãe que amamenta, receber o apoio do pai, da família, dos amigos e dos profissionais de saúde é fundamental para o sucesso do aleitamento materno.
“É preciso alcançar as mulheres em suas casas e suas comunidades”, disse a diretora executiva do UNICEF.
O apoio do UNICEF a uma atenção integrada de saúde, baseada na comunidade, inclui o aleitamento materno exclusivo. No Brasil, para incentivar o aleitamento materno exclusivo e apoiar mães e famílias no cuidado com seus bebês, o UNICEF utiliza o kit Família Brasileira Fortalecida, um instrumento educativo que alcança milhões de famílias no País inteiro, com o apoio de agentes comunitários de saúde. Os profissionais de saúde recebem treinamentos e orientam as famílias sobre os cuidados com crianças de até 6 anos. Gestantes recebem atenção especial.
Outra iniciativa do UNICEF nessa área é o Hospital Amigo da Criança, em parceria com o Ministério da Saúde, que mobiliza os estabelecimentos de saúde para que mudem condutas e rotinas responsáveis pelos elevados índices de desmame precoce.
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