sexta-feira, 20 de maio de 2011

Mae e bela

Existe, sim, vida e vaidade após a maternidade

Juntas de novo! Neste terceiro encontro vamos falar muito mais de nós do que dos nossos. Enquanto penso em nós (mulheres) e neles (os parceiros e os filhos) me dou conta que estamos em maio! E no nosso mês, todos lembram de nós... as mães! Que bom, vamos aproveitar porque comemorações quase sempre envolvem alto astral e ninguém está dispensando energia positiva nos dias de hoje. Parabéns, então, a todas nós, com nossas personalidades, perfis e diferentes caminhos.
Não há como tirar um tema da gaveta para a coluna enquanto os e-mails dos leitores chovem na caixa postal. Então, vamos unir a antiga idéia da colunista de não esquecer da bela mulher que somos antes, durante e depois da gravidez, com a história que a leitora Flávia Prista Santa Cruz nos mandou. Tema e personagem se encaixaram de primeira. Flávia é diretora de atendimento de uma agência de publicidade e tem um dia-a-dia agitado. É uma mulher prática, que ama a maternidade, mas que por conta disso não deixou de se cuidar, ao contrário, a experiência de ser mãe só aumentou seu desejo de se sentir bem e bonita. Seu bebê (a linda Carolina) nasceu há onze meses e Flávia se sente tão ou mais mulher do que antes. Põe em prática o que todas nós sabemos mas, por comodismo ou preguiça, não admitimos: existe, sim, vida e vaidade após a maternidade!
Conhecendo Flávia...
"Casei aos 31 anos e, para minha surpresa, já na cerimônia de casamento Carolina estava lá (com uns 5 dias de vida). Confirmei que realmente estava grávida de um mês, quando voltei da lua de mel... Sem dúvida, era o que faltava para completar a minha felicidade! Aliás, a nossa, pois meu marido e eu, sempre desejamos que nosso bebê viesse logo ao mundo!
Dividimos a nossa felicidade com irmãos, pais, avós, amigos e colegas de trabalho! A notícia foi uma grande festa, principalmente na família, pois dentre as minhas irmãs, faltava apenas eu - a mais velha - ser mãe.
Eu sempre fui uma mulher ativa. Trabalho diário e exercícios físicos todas as manhãs sempre fizeram parte da minha rotina. Durante a gravidez, não foi diferente... Todos os dias eu e meu bebê, Carolina, íamos a hidroginástica e em seguida, corríamos para o escritório onde ficávamos juntas trabalhando até a noite. Foi ótimo trabalhar com a minha Carolina na barriga! Os amigos de trabalho duplicaram a atenção comigo, todos sempre solícitos e cuidadosos com a minha saúde. Entre uma reunião e outra, eu e Carolina corríamos para o salão, pelo menos uma vez na semana, para que eu fizesse as unhas, sobrancelha, buço e... cabelo... Aliás, fiquei louca com meu cabelo, pois faço luzes e muitos diziam que eu não poderia continuar a pintar o cabelo durante a gravidez. Até que descobri uma tinta sem amônia e esta foi a solução para me manter super loira e poderosa como sempre!
A filha Carol
"Minha rotina é muito cansativa, trabalho com comunicação e eventos. Os eventos são esgotantes fisicamente... Não sabia se conseguiria me manter firme até os nove meses, mas tinha certeza que tentaria trabalhar o máximo que pudesse...
Firme, forte e bela fui até 37 semanas diariamente ao escritório. Depois, meu marido montou um home office para mim onde, de casa, mandava e-mails para os clientes e resolvia tudo o que fosse necessário.
No dia 10 de junho de 2006, com 38 semanas de gravidez, fui comemorar o aniversário de uma amiga em uma discoteca. Nossa, como a Carolina pulou! Acho que ela adorou o ritmo das músicas e as luzes coloridas do lugar. Naquele dia, falei para o meu marido que ela viria ao mundo... No dia 11, meu marido saiu para velejar de manhã e eu fiquei de cama com febre e me sentindo muito fraca. Peguei uma gripe e minha imunidade baixou. Na madrugada do dia 11 para o dia 12 de junho - dia dos namorados e dia em que comecei a namorar meu marido, Maurício, nasceu meu lindo bebê Carolina, de parto normal, sem dores e sem sofrimento. Eu sempre tive a certeza de que ela viria ao mundo de parto normal e procurei trabalhar isto na minha cabeça durante toda a gestação.
Hoje, minha "Lolipopi", como gosto carinhosamente de chamá-la, está com 11 meses. É linda, fofa, saudável e esperta. É como eu sempre sonhei e como eu sempre pedi a Deus. Agora está começando a balbuciar "mama" e "papa"... Cada sílaba que sai da sua boquinha é uma emoção enorme que bate no meu coração".
A profissão, o marido Maurício e... Auto-estima
"Eu me sinto muito feliz e muito realizada como mãe e mulher. Continuo como sempre fui, muito ativa e vaidosa. Trabalho; vou ao salão semanalmente; corro na esteira; faço aulas de ginástica, faço as compras, organizo a casa; oriento a Ana (babá da Carolina) e, principalmente, cuido da Carol e do meu marido, com muito amor, carinho e dedicação. Detalhe principal: ainda acordo à noite, duas vezes, para as mamadeiras noturnas... É cansativo, mas... Faz parte, a gente acostuma!
Ele, meu marido Maurício, fica louco comigo e acho que muito orgulhoso de ter ao seu lado uma "mãezona" e uma super mulher!"
Mãe também é mulher
Flávia é uma mulher comum e como todas nós trabalha muito para defender suas conquistas no mercado de trabalho, além dividir amor e atenção entre seu marido e sua filha. Na prática, os perfis de cada mulher que lê esta coluna são diferentes. Em comum é que cada uma de nós está sempre se dividindo em várias num só dia. Mãe também é mulher e tem que se gostar por essas duas coisas. Não dá para separar, nem tão pouco esquecer de uma em detrimento da outra.
Alertas de saúde e pequenas dicas de beleza
Exercícios
A professora de educação física e terapeuta corporal, Márcia Chaves, dá algumas orientações para quem acaba de dar a luz e já pensa em cuidar do visual. Mas vale lembrar que tudo tem seu tempo...
"Para iniciar uma atividade física, a mulher tem que ser liberada pelo médico. O tempo de resguardo pós-parto varia entre 30 a 40 dias. Uma vez liberada, a mãe deve começar com atividades moderadas. Nada de exercícios aeróbicos. Apenas atividades posturais e para o fortalecimento da musculatura do abdômen e bacia. Após 60 a 90 dias do parto, ela pode iniciar os exercícios aeróbicos, como caminhada e esteira. O fortalecimento postural feito anteriormente é necessário para que, quando iniciar efetivamente uma atividade física, ela não tenha nenhum comprometimento na coluna ou nas articulações. Mesmo assim, enquanto estiver amamentando, a atividade física deve ser de moderada a fraca, nunca máxima, porque se corre o risco de diminuir a produção de leite", aconselha Márcia.
Alguns médicos recomendam a drenagem linfática manual (que pode começar até mesmo antes do parto). Ela ajuda na redução de edemas (inchaço), a eliminar as toxinas, na regularização da circulação, no retorno do funcionamento do intestino e no auxílio e prevenção ao endurecimento das mamas.
Pele, unhas e cabelos
Aqui, a dica é procurar alternativas às substâncias químicas. "Enquanto estiver amamentando a mulher não pode fazer tratamento clínico, nem interno, nem externo - inclusive o laser (que é recomendado para varizes e pequenas manchas) porque pode trazer manchas irreversíveis . Não são recomendados também procedimentos invasivos e não se administra substâncias químicas. É importante também usar filtro solar", alerta Márcia. "As tinturas de cabelo também devem ser evitadas, prefira as não tóxicas. Uma boa solução para quem pinta o cabelo é fazer reflexo porque o uso da touca não deixa o produto em contato com a raiz do cabelo. É recomendável evitar, inclusive, esmaltes de unha", diz a especialista.
Quem não está amamentando também deve ter cautela
Mesmo quem não está amamentando deve ter cuidado dobrado. "As alterações hormonais propiciam grande sensibilidade dos tecidos e do organismo de maneira em geral. Tudo o que a mulher ingere ou se expõe pode ter efeito nocivo devido ao caos hormonal que ela está passando nesse período. A mulher está muito sensível, amamentando ou não. Até os hormônios se harmonizarem e o corpo voltar ao normal leva um tempo", esclarece Márcia.
Então, vamos respeitar.
Plástica
Dr. Eduardo Considera é cirurgião plástico e dermatologista. Ele lembra que é importante não interromper o período mínimo de amamentação (de seis meses a nove meses) antes de procurar um cirurgião de confiança. Medicamentos na corrente sanguínea da mãe passam para o filho através do leite: "O pós-parto é um período de dedicação total. Mas a mulher pode e deve se cuidar e se prevenir antes, durante e após a gestação".
Existem muitos métodos para modelar de novo o corpo. É preciso pesquisar muito sobre cada um e procurar um profissional competente e com referências. Fique atenta. O cirurgião entrevistado dá algumas dicas e explica um pouco sobre alguns procedimentos. Mas, lembre-se, isso é só para que você tome conhecimento das possibilidades. Aprofunde-se!
"A bioplastia e o botox são conhecidos como plástica sem cirurgia. São procedimentos minimamente invasivos e podem ser feitos após o período mínimo de amamentação. Atuam na face, no contorno do rosto e no queixo. A bioplastia também tem a função de empinar o bumbum. Se o problema da mulher se encaixa nesse perfil, ela pode procurar o cirurgião seis meses após o parto. Para procedimentos mais invasivos, tem que esperar de nove meses a um ano porque o corpo ainda está retornando a forma antiga. Neste período ela pode ir se planejando com cuidados com alimentação, por exemplo. Passado este tempo, pode partir para procedimentos com cortes como plástica no abdômen para retirar o excesso de pele ou a hidrovibrolipo (técnica que elimina depósitos de gordura localizada). Está apta também para colocar silicone para elevar a mama, por exemplo. Mas tudo isso depois de passar por exames detalhados", explica o médico.
Espelho meu
Ficar bonita é ótimo, mas não esqueça que pouco adianta cuidar da casca e esquecer o conteúdo. A beleza tem que ser nossa aliada e não um sofrimento. Vá à luta para ser poderosa e linda, mas também goste de você do jeito que é: pelo que pensa e pelos motivos que te leva a rir, chorar, vibrar, rezar, ouvir, dizer, calar...
Cuide-se sempre. Dentro e fora.

Dica de decoração

Como decorar o quarto do bebê?

Qual mãe não gostaria de preparar um lindo quarto para o nenê que chega ao mundo? Mas cuidado para não exagerar na extravagância. O bebê precisa sim de um ambiente aconchegante, e não um lugar cheio de cores.
“Não enfeite demais o quarto, o excesso traz confusão visual e acúmulo de pó”, analisa a arquiteta Carla Arigón Felippi.
Alguns pontos devem ser observados na hora de decorar um quarto. Primordialmente, o bebê necessita de um ambiente tranqüilo, especialmente nos primeiros meses, para lhe assegurar proteção de ruídos e de aberturas repentinas de portas e janelas.
Em segundo lugar, a área reservada ao recém-nascido deve ser de fácil acesso, para atender o bebê com rapidez quando necessitar. Uma boa opção para começar a decoração do quarto é planejando a distribuição dos móveis. Todos os móveis devem ser práticos e revestidos com materiais laváveis e resistentes, independente do estilo escolhido.
Uma dica importante da arquiteta: “Faça uma linha reta entre a janela e a porta do quarto para descobrir o caminho da corrente de vento. Posicione a cama ou o berço fora deste espaço. A partir daí, distribua o guarda-roupa e bancadas”.
Confira algumas dicas que podem ser de bastante utilidade:
a-) Poltronas podem ser de abrir transformando-se numa cama auxiliar, muito útil no caso de quartos para bebês. É importante acostumá-los em seu próprio quarto. Se você for dormir lá nos primeiros meses ficará mais fácil sair do quarto da criança, que estará ambientada. Claro que isso não é uma regra.
b-) Encostar a cama numa das paredes laterais, libera o meio do quarto e possibilita a montagem de casinhas, cabanas e trens que podem ficar montados de um dia para o outro!
c-)Paredes livres ou portas que recebem cestas de basquete e adesivos de amarelinha no piso estimulam o gosto por brincadeiras que exercitam.
d-) Beliches com escadas divertidas, descidas com tubos e almofadas coloridas pelo chão são toques bem humorados, que ainda economizam espaço.
e-) Procure evitar a instalação de videogames e tvs, quanto menor a exposição visual, menos a criança lembra deles! Dificulte o acesso!
f-) Equipamentos de som são interessantes neste cômodo, pois a música pode servir para marcar a hora do banho, do sono, do passeio, isso é muito importante para as mães se comunicarem com os bebês, que assim ficam sabendo a próxima atividade que será executada.
g-) Cores mais suaves que não agitam tanto as crianças, e são muito úteis na hora das brincadeiras tranqüilas, que diminuem o ritmo antes de dormir. Dimers regulam a intensidade de luz, já que luminosidade é outro item importante.
h-) Espelhos estimulam o desenvolvimento, pois a criança observa sua
movimentação, a fala e gestos; use-os colados na parede para eliminar riscos de quebra.
”Tapetes de borracha antialérgicos, cortinas removíveis e laváveis, móveis sem quinas e piso revestido de vinil ou laminado plástico para evitar poeira completam o conjunto e oferecem segurança”, recomenda Carla.
Dicas
0 a 2 anos - O essencial para o quarto do bebê é o berço, cômoda (para ser utilizada como trocador e guarda-roupa) uma poltrona para amamentar, cesta para suporte, lixeira e uma iluminação adequada.
2 a 7 anos – O ambiente deve incentivar e motivar o desenvolvimento mental da criança. Habilitar o espaço com um local para o descanso, outra para as brincadeiras e uma área para guardar os brinquedos é uma forma de ensinar-lhe, desde pequeno, a se organizar.
7 a 9 anos – Aqui uma área para o trabalho é essencial. Uma escrivaninha em lugar bem iluminado, de preferência é junto à janela, mesmo que não tenha luz natural.

Introdução

Minha Gravidez Semana a Semana

Vamos apresentar um guia da gestante que traz informações sobre você e seu bebê durante toda a gestação, semana a semana.
Se você desejar poderá receber a evolução da sua gravidez em seu e-mail. Toda semana enviaremos o conteúdo referente a semana da gravidez que você se encontra.
Lembre-se sempre que cada bebê se desenvolve de uma maneira única, sua gravidez não será igual de sua amiga, por exemplo. São informações generalizadas do que normalmente ocorre em cada período da gestação. Nunca substitua sua consulta médica baseando-se somente às orientações deste guia. Use o guia para complementar a consulta com seu médico.
Por que sua conta nunca bate com a conta do médico?
O médico começa a contar desde o primeiro dia do último período menstrual (quando a mulher não sabe dizer o dia exato da concepção), ou seja, provavelmente duas semanas antes do óvulo ter sido fecundado. O cálculo também é feito por semanas, ao invés de meses. Por exemplo, 4 semanas é igual a 28 dias, que resulta em um mês lunar (aproximado). Diferente de um mês que você está acostumada, que em geral tem 30 ou 31 dias, o que dificulta a contagem. Portanto, para este serviço iremos considerar que a gravidez dura em média 280 dias ou 40 semanas.
O pré-natal é muito importante para que se tenha uma gravidez tranqüila e um ótimo desenvolvimento do seu bebê. A primeira consulta acontece quando você ainda suspeita da gravidez e segue por acompanhamento mensal, quinzenal a partir de 32 semanas, e semanal a partir de 38 semanas se tudo ocorrer sem problemas.
Conhecer as transformações e sintomas que ocorrem no seu corpo durante a gravidez é estar preparada para viver essa fase segura e tranqüila.
ATENÇÃO! A medida do bebê dentro da barriga da mãe, que será informada aqui, é a medida feita da cabeça do bebê até o bumbum (céfalo-caudal).

Quando chega a hora

O Pós-parto

O parto constitui-se num processo de transição que coloca um ponto final no estado da gravidez e dá início ao puerpério ou pós-parto.
Esta nova fase abrange um período de cerca de quarenta dias e se apresenta com características altamente relevantes para as pessoas envolvidas e, em especial, para a puérpera.
Durante os longos meses de gestação, a mulher foi se adaptando às transformações internas e externas que ocorriam lenta e gradualmente. Todos à sua volta eram-lhe solícitos aos seus desejos e cuidados. Ela era o centro das atenções.
Com o nascimento do bebê, nasce uma família. As mudanças são bruscas e tudo muda em sua vida. Ocorre, então, uma mistura profunda de sentimentos: alívio e euforia por já ter passado pela experiência do parto e por ter sido constatado que o bebê nasceu perfeito e saudável, o que aumenta sua autoconfiança por ter sido capaz de procriar bem.
Quando o bebê é apresentado aos pais, todas as atenções se voltam para ele. Muitas vezes surgem sentimentos de frustração com o filho, por ser diferente do idealizado seja pelo sexo ou mesmo pela aparência f'ísica. Ao olharem para aquele ser tão pequeno e indefeso, totalmente dependente e ainda desconhecido, é que os pais sentem o profundo impacto do compromisso assumido para toda a vida, o que os torna fragilizados e assustados.
A primeira angústia que surge na puérpera é quanto ao aleitamento, questionando-se se terá leite suficiente ou mesmo se o bebê aceitará a amamentação. Tais perguntas escondem a real preocupação que é a possibilidade de falhar como mãe, pois a maternidade é, agora, um fato consumado. Dessa maneira a permanência no hospital é sentida como apaziguadora, no sentido que proporciona à puérpera e seu filho toda a assistência e cuidados de que necessitam.
Mas chega o dia da alta hospitalar e, com ela, o retorno ao lar. O medo de assumir sozinha as responsabilidades para com o bebê, aumenta a insegurança materna. Além disso, as atenções especiais, as comemorações e visitas começam a diminuir, enquanto que as obrigações assumem proporções imensas. Novamente se intensificam as angústias quanto à maternidade. O medo de não corresponder à figura de mãe idealizada une-se ao temor de não saber cuidar do bebê gerando a possibilidade de que adoeça e morra.
Os primeiros dez dias do pós-parto são os piores. Com os seios inchados e doloridos e ainda sentindo dores se o parto foi cesárea ou mesmo normal, por causa da episiotomia (corte de cerca de quatro centímetros feito no períneo, antes do bebê nascer, para proteger os tecidos contra roturas e lacerações), o próprio estresse físico e emocional do trabalho do parto, a perda do ninho protetor que era o hospital, o não reconhecimento do próprio corpo, os deveres que a esperam, sem saber se dará conta, sua vida pessoal e profissional, tudo isso contribui para o aparecimento do baby blues ou depressão pós-parto. Neste momento, torna-se fundamentalmente necessário o apoio familiar e de amigos, que auxiliem e estimulem a puérpera a exercer suas atividades maternas, revezando-as com ela, para que também possa descansar.
O confronto com o corpo atual é um aspecto difícil a ser superado, pois já havia se acostumado com a imagem do corpo grávido. Embora vazio, não o reconhece como sendo o mesmo anterior à gravidez e em nenhum outro momento de sua vida. A abstinência sexual vem fortalecer o sentido de fealdade na mulher, de perda da sensualidade e do poder de sedução e que a leva, muitas vezes, a suspeitar da fidelidade do companheiro.
Outra grande angústia materna é o compartilhar do bebê com outras pessoas, inclusive com o próprio pai da criança, pois enquanto grávida tinha exclusividade na relação com ele, que era sentido como apenas seu. A perda da figura do obstetra é muito significativa. Sob seus cuidados durante toda a gestação, acolheu-a e acalmou-a nas horas difíceis, numa relação de extrema confiança que lhe dava segurança e proteção.
Muitas mulheres sentem-se desapontadas com seus companheiros, por acharem que não estão recebendo o apoio e carinho esperados, como também, por senti-los indiferentes ao bebê. Cabe, aqui, uma explicação fundamental. Por ser a mulher a fonte geradora, o vínculo entre ela e o bebê vai se estabelecendo com o decorrer da gestação, o que não acontece com o pai que, nesse período, percebe-se como mero espectador, muitas vezes até se esquecendo que também colaboraram para que a concepção ocorresse. Dessa maneira, o vínculo entre pai e bebê forma-se de maneira mais lenta, também porque de início, o filho é percebido como um grande rival, pois mobiliza todas as atenções e cuidados de sua companheira. Assim, muitos pais estarão se sentindo abandonados e necessitados de apoio e conforto, pois também se encontram angustiados e atemorizados quanto ao presente e futuro e se perguntando se serão capazes de prover e proteger a nova família. Muitos também apresentam dificuldade em reassumir a vida sexual ativa com medo de machucar a mulher ou por perceber o quanto se sente cansada e confusa com as novas responsabilidades, ou mesmo por estarem com ciúmes e inveja da íntima relação mãe-bebê, principalmente no momento da amamentação, quando se sentem excluídos da relação.
Decididamente, o pós-parto é um período muito delicado, porém riquíssimo em aprendizagens. Pais e filhos estarão exercendo a capacidade de se conhecer e de se reconhecer como família. Para tanto, faz-se necessário o principal aprendizado que é o sentido de doação, ou seja, que os pais doem a seu filho um lugar físico e psicológico, que antes era só deles, para que se sinta pertencente e acolhido emocionalmente pela própria família que o concebeu.

Fobias

Fobias do parto

A partir do terceiro trimestre ocorre um fenômeno da maior importância. Com todas as estruturas fisiológicas formadas e funcionais, a existência no espaço aéreo agora é viável para o feto, que se encontra em pleno e rápido desenvolvimento, ganhando peso e volume.
Há, então, uma alteração na dinâmica psíquica da gestante, pois com a possibilidade de vida de seu bebê, mesmo num parto prematuro, altera-se, também, a percepção que tinha dele e que lhe permite começar a pensar quando será o parto e como será.
No decorrer das semanas, o corpo da futura mamãe vai se avolumando mais e mais, provocando-lhe um intenso desconforto físico. Percebe-se mais pesada e lenta, sem energia e disposição para manter suas atividades habituais, também porque não mais encontra posição confortável para dormir.
Embora todas as gestantes sintam-se mais limitadas, as reações são diferentes. Enquanto umas descansam, ficando um tempo maior deitadas e inativas, outras continuam hiperativas como negando a gravidez, uma vez que a baixa de atividade geral, significaria aumento na angústia. Uma parte considerável delas continua exercendo suas ocupações profissionais e do cotidiano, embora exigindo maior esforço. Com esta realidade que se lhes apresenta, a proximidade do parto é um fato inegável e percebida com grande temor, embora a evolução da obstetrícia moderna tenha diminuído sensivelmente o risco físico tanto para a parturiente quanto para o bebê. Podemos aqui incluir a mulher cuja gravidez foi planejada e que no decorrer desta tenha adquirido um grande amadurecimento emocional, desejando a chegada do bebê. Ela também sente a angústia do parto, embora com um grau suportável.
Assim, mais uma vez a ansiedade se exacerba e os sentimentos são ambivalentes: a vontade de terminar a gravidez e ter o filho alterna-se com a vontade de prolongá-la para que possa fazer as adaptações internas e externas necessárias para acolher o bebê.
É que neste momento a angústia tem raízes mais profundas e inconscientes. Todos os temores vivenciados desde o início da gravidez se reatualizam, porque com o parto, a mulher terá a constatação se os momentos de dúvidas, questionamentos e incertezas não prejudicaram o feto e se realmente é merecedora de ter um filho saudável e perfeito, ou seja, aquele que ela vai
ter que mostrar ao pai, à família e aos amigos em geral.
A angústia do parto é, talvez, a mais primitiva que se conhece, pois faz reviver o momento crucial em que ocorre a separação definitiva do corpo materno, quando do próprio nascimento.
A ansiedade mais expressiva que surge refere-se à data aproximada do parto: "quando será". Nesta questão, escondem-se outras: "como será o parto, como será o bebê, como serei enquanto mãe, terei condições de assumir o compromisso com esta nova vida..."
O conflito entre os conteúdos conscientes e inconscientes, que aparecem mais especialmente nesta etapa, facilita a revivência de conflitos infantis da gestante com seus pais de origem ou irmãos, que antes permaneciam reprimidos.
Desta maneira, surge a oportunidade de renegociar suas relações com a história familiar, encontrando novas possibilidades de solução ou então se intensificam os conflitos, o que certamente irá afetar a relação mãe-bebê.
Com os movimentos fetais, há, também, uma percepção maior das contrações uterinas, muitas vezes sobressaltando e atemorizando ainda mais a futura
mamãe.
Pouco antes do oitavo mês, pode se produzir a versão interna, que é o momento em que o feto posiciona-se de cabeça para baixo, à entrada do canal do parto.
A percepção deste movimento provoca, inconscientemente, uma intensa crise de ansiedade, cuja sensação consciente é de algo estranho acontecendo, podendo provocar certos processos somáticos, como: diarréias, constipação, aumento de peso excessivo, cãimbras intensificadas, crises de hipertensão e outros, cada um com seu significado psicológico próprio. O mais grave deles é o parto prematuro, quando as crises de ansiedade chegam a níveis insustentáveis. Não tolerando mais a situação ansiógena e precisando livrar-se dela com urgência, a dinâmica psíquica desencadeia o parto, funcionando como uma defesa ante a possibilidade de uma desestruturação psicológica.
Todos estes sintomas expressam, além do conflito, um pedido de ajuda e proteção por não conseguir suportar e elaborar a crise de ansiedade.
Vale dizer que os temores mais comuns que se expressam na gravidez apresentam um caráter de autopunição, do tipo: temor à morte no parto, à dor, incapacidade de criar bem o filho, ter leite fraco ou mesmo não conseguir produzir leite suficiente, parto traumático por fórceps ou cesariana, morte do filho, filho disforme... enfim, a gestante sente que não é capaz de defrontar-se com o parto e superá-lo.
Freqüentemente, nestes momentos de intensa crise, deixa de perceber os movimentos fetais, cuja vivência é extremamente dolorosa e angustiante, pois é associada à possibilidade de morte do bebê. Essa ausência de percepção deve-se à intensidade da angústia, bem como, pelo fato de o feto estar bem desenvolvido e não haver espaço intra-uterino suficiente para suas evoluções, além de que já existe certo grau de encaixamento.
É importante lembrar que não são apenas as primíparas a apresentar as fobias do parto. Por serem fobias profundamente enraizadas, ligadas à história da mulher, a esta gravidez, ao modo como sua mãe relatou o seu próprio nascimento, à história do casal e ao que ela espera deste filho, podem atingir as gestantes em outra gravidez e não necessariamente na primeira.
É muito comum as futuras mamães terem sonhos referentes ao parto, ao bebê, às alterações do seu corpo e às expectativas em relação a si mesma e ao bebê. O sonho tem uma função fundamental nestes casos, pois oferece a oportunidade de enfrentar antecipadamente a tensão do parto, numa tentativa de dominá-la, não devendo, porém, ser considerado como premonição, pois o verdadeiro significado só poderá emergir durante um trabalho analítico.
Atualmente, sabe-se que o futuro papai não fica imune às angústias durante a gestação de seu filho e elas também podem ser expressas através de sonhos e, muitas vezes, de distrações e esquecimentos, o que provocam grandes tensões entre o casal.
Por não ter com quem expressar o sofrimento que o atinge, ocorre de modo inconsciente e mais comumente do que se possa pensar, todo tipo de acidentes, depressão e comportamentos de fuga, como excesso de trabalho, novos interesses fora do lar e que atuam como uma forma de chamar a atenção e de reclamar o seu lugar, já que o ambiente imediato está às voltas com a gestante e esta com os preparativos para a chegada do bebê, tendo de lidar, também, com suas próprias ansiedades.
Um dos temores mais comuns é não saber reconhecer os sinais do parto e ser pega de surpresa. Assim, a qualquer sinal percebido como estranho, geralmente a gestante vai para a maternidade.
Os alarmes falsos têm duas funções tranqüilizadoras: além de permitir a liberação da ansiedade, funciona como um exercício da maneira como deverá se comportar no momento de ir para o hospital. Muitos homens aproveitam para cronometrar o tempo dispendido no percurso, pois o fato de saber em quanto tempo suas parceiras estarão sob cuidados médicos e hospitalares, acalma-os.
No caso de existirem outros filhos, estes devem ser preparados para a ausência materna, quando for ter o bebê. Utilizar-se sempre de palavras que expressam a realidade e que estejam de acordo com a compreensão de cada um. Mesmo as crianças de pouquíssima idade e até as que ainda não dominam o vocabulário conseguem captar o sentido do que vai sendo dito e isto as
tranqüiliza.
No momento em que o parto se aproxima, o ambiente mais próximo, preferencialmente as futuras vovós, entram num estado de grande agitação, fazendo planos e oferecendo assistência e colaboração após o nascimento do bebê.
O modo como este movimento será interpretado pela gestante depende de sua história, principalmente na relação com a mãe nos momentos mais precoces de sua vida. Ela poderá se sentir mais segura e agradecida ou, ao contrário, encarar como um comportamento invasivo que vem para confirmar a sua incapacidade em exercer a maternagem adequadamente.
Muitas vezes o ambiente imediato não consegue funcionar como continente para todas as angústias, temores, ansiedades e culpas que despertam na futura mamãe, porque também estão revivendo, de forma menos dramática, é verdade, seus próprios temores frente à vida. Assim, a gestante se percebe muito só, sem apoio e proteção, completamente indefesa, o que, por certo, aumentará a angústia, podendo chegar à depressão.
Faz-se extremamente prudente e necessário a ajuda de um profissional capacitado que possa acolhê-la, orientá-la e reassegurar-lhe a confiança e o bem-estar neste momento de crise ou mesmo de todo o período gestacional.

Sentimentos

Depressão materna e o impacto no bebê

Ninguém pode negar a importância da presença da mãe para o desenvolvimento e crescimento, em todos os aspectos, da criança. A mamãe precisa ter energia física e psíquica para acompanhar todas as etapas da vida do seu filho, protegendo-o, traduzindo o mundo e satisfazendo as necessidades da criança.
A mamãe é a pessoa que dá a oportunidade do bebê conhecer o mundo, oferecendo o equilíbrio que a criança precisa para organizar todas as novidades que chegam diariamente.
Se a depressão materna acontece, principalmente se ocorrer na infância ou adolescência dos filhos, um grande impacto no comportamento e intelecto recai sobre essas crianças.
Desde o nascimento, o bebê precisa da ajuda da mamãe para conseguir sentir-se seguro, confiante e poder se desenvolver motor e cognitivamente. Uma mãe depressiva nessa época torna-se ausente e empobrecida de estímulos para seu filho.
O bebê já demonstra irritação com essa atitude depressiva, sendo um bebê choroso, tendo mais diarréia que um bebê com uma mãe não depressiva, não tem um contato visual constante com sua mãe ou com estranhos. A interação desse bebê com o mundo é precária e ele se identifica mais com o rosto de alguém triste do que com um alegre. Viu como um problema da mãe pode gerar tanto nó na cabecinha do bebê?
Futuro depressivo - Uma criança que tem a mãe depressiva tem maiores chances de desenvolver alterações emocionais, uma depressão, por exemplo, assim como a mãe.
Essas mamães têm problemas de impor limites: às vezes são permissivas demais e outras rígidas demais. Essa dificuldade faz com que as crianças, principalmente entre os 18 e 42 meses, tenham dificuldade de se relacionar com seus amiguinhos, criando relações inseguras e desorganizadas, com problemas claros de comportamento.
Alguns estudos realizados demonstram maiores índices de dificuldades escolares, seja por déficit de atenção ou distúrbio de aprendizagem, maior comportamento de risco e maior número de acidentes com os filhos de mães depressivas.
Um grupo de pesquisadores publicou um artigo na revista Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry em janeiro de 2007 relatando o comportamento de adolescentes cujas mães apresentavam episódios depressivos. Verificou-se maior número de usuários de drogas ilícitas, iniciação precoce da atividade sexual e maiores taxas de abandono escolar.
Os filhos, desde pequeninos, espelham-se bastante no comportamento materno. Proteção, acolhimento, apoio e correção colocados pela mãe são cruciais na formação e consolidação da personalidade das crianças.
Dicas
O apoio da família, terapêutico e social é importante para que as mães depressivas possam exercer sua função de protetora.
Um pai presente pode amenizar os riscos negativos que a depressão materna acarreta na vida dos filhos.
Quanto antes a depressão for tratada, menor será o impacto no desenvolvimento das crianças.

Pai

Paternidade

Muitas gestantes ainda se referem à gravidez com exclusividade, utilizando-se de expressões que, consciente e inconscientemente, transmitem a mensagem que são questões puramente femininas, como se o homem fosse apenas continente de suas angústias e ansiedades e, paradoxalmente, ressentem-se pela indiferença de seus parceiros.
Tais atitudes refletem posturas ancestrais quando, de fato, o homem era excluído da relação e sua participação terminasse no momento em que o bebê era concebido.
Felizmente os tempos mudaram, e o que vemos atualmente é que cada vez mais aumenta o número de homens que desejam participar ativamente do processo da paternidade, constituindo-se num elemento-chave indispensável da equação pré-natal. Assim, não se considera apenas a mulher grávida, mas o casal grávido.
Durante os meses de gestação, o feto ouve a voz paterna e percebe a influência que exerce em sua mãe, através dos batimentos cardíacos, produção hormonal e corrente sangüínea. Tudo quanto afeta positiva e negativamente sua mãe, afeta-o também e as questões conjugais entram em jogo com um grande peso, já que são as que mais atingem emocionalmente a gestante.
A voz paterna é tão importante para a criança que se o pai se comunicar com ela ainda in útero, a criança é capaz de reconhecê-la e de reagir, logo ao nascer. Assim, se por qualquer obstáculo mãe e bebê são separados após o nascimento, e se a mãe estiver impossibilitada de acompanhar sua recuperação, o pai deve assumir e estabelecer contato com ele para que não perca seus referenciais intra-uterinos, podendo sentir-se novamente em segurança.
É' verdade que fisiologicamente o homem está em desvantagem, já que quem gesta o bebê é a mulher, porém, se ela puder ajudá-lo e conseguir introduzi-lo nesta relação tão íntima, fazendo-lhe um lugar, este pai poderá assumir a função que lhe é de direito e de amor e o vínculo paterno-filial irá se fortalecendo com o passar do tempo, aumentando seu envolvimento e prazer em acompanhar o desenvolvimento da gestação.
No exato instante em que a mulher anuncia ao homem que está grávida, implicitamente anuncia o nome de família que esta criança terá. O impacto da notícia depende da história do casal e do tipo de relação que une o homem e a mulher, que pode ter vários efeitos, desde uma felicidade extrema e compartilhada, até separações, afastamentos e conflitos.
O modo como o homem vivencia a gravidez é diferente da mulher. Mesmo as emoções, apesar de as mesmas, também são vivenciadas diferentemente. E é por isso que as gestantes não compreendem e até se ressentem quando seus parceiros não se manifestam com a intensidade esperada, inclusive quando a gravidez foi planejada e desejada por eles.
Em primeiro lugar, porque desejar um filho é completamente diferente de se projetar como pai. E isto é válido também para a mulher. Enquanto o desejo de um filho situa-se no plano da fantasia, onde todas as expectativas são idealizadas, projetar-se como pai remete-o à realidade das responsabilidades que deverão ser assumidas e pelas quais também se percebe inseguro e despreparado.
Em segundo lugar, porque também se encontra em estado regressivo, quando os conflitos infantis, conscientes e inconscientes, são reatualizados, principalmente no tocante à relação com os pais de origem, em especial, com a figura paterna.
Embora o homem e a mulher contribuam igualmente para a concepção do filho, é a mulher que vai vivenciar as transformações físicas e sentir o bebê crescer dentro de seu corpo. Isto causa muita inveja e ciúme no homem por não poder participar diretamente da díade mãe-bebê, o que pode levá-lo a sentir-se excluído da relação.
Para se fazer um lugar, produzem-se os sintomas que são expressões inconscientes desse desejo. Aparecem, então, sensações semelhantes às da mulher, como aumento de apetite, problemas digestivos, intestinais, aumento de sono... Muitas vezes procura inteirar-se de todas as informações possíveis sobre a gravidez, parto e puerpério, como também de captar a cada instante os movimentos fetais, colocando a mão no ventre da parceira.
Outros homens excluem-se da relação, como se não pudessem ou devessem ter acesso à gravidez. Culturalmente, ainda se lhes encontra enraizado que a demonstração de ternura e os cuidados para com um bebê vão contra o conceito de masculinidade.
Outros, ainda, sentem-se incompreendidos e desamparados em suas angústias e ansiedades, pois também se percebem fragilizados, cheios de dúvidas e com medodo futuro e, sem ninguém para ouvi-los, uma vez que o ambiente mais próximopermanece voltado apenas para a gestante, saem em busca de amigos, ficandocada vez mais afastados do ambiente doméstico, e o que é pior : sofrendo sozinhos.
Mas a psicologia pré-natal, com seus estudos cada vez mais avançados, tem demonstrado claramente a importância para o feto do contato precoce com a figura paterna. Quanto mais cedo o vínculo é formado, tanto pelo contato físico no ventre da mulher quanto pela emissão de palavras, maiores benefícios emocionais trarão após o nascimento, pois o bebê necessita tanto dos cuidados maternos quanto dos paternos, visto ser receptivo e sensível a estes, principalmente se tiveram início na vida intra-uterina.
Como a criança já guarda lembranças na vida pré-natal e é capaz de retê-las, a ligação profunda e intensa pai-feto é essencial para o continuum do vínculo pós-nascimento. Este pai, então, deixa de ser mero provedor para compartilhar dos cuidados básicos com o bebê, bem como de sua educação e desenvolvimento físico-emocional.
Mas os limites de cada um devem ser respeitados. Há pais que por não conseguirem experienciar a troca de fraldas, assumem outras tarefas como dar banho, alimentar, levar a passear. Sendo assim, podem revezar com a mulher, deixando de sobrecarregá-la e de se sobrecarregar, ficando ambos mais disponíveis emocionalmente para o bebê. Além do contato com ele, o homem também tem uma função importante como companheiro, pois transmitindo amor e segurança à mulher, colaborará para que ela acolha mais intensamente seu próprio filho.
Muitos homens se decepcionam com a parceira e vice-versa, por não corresponderem ao ideal de pais que construíram, o que pode gerar novos conflitos ou romper um equilíbrio que já era frágil. Se as expectativas forem irreais, há de se refletir para encontrar um meio de reassegurar o bom entendimento, através de muita compreensão e de ajudas mútuas para sobrepujar as dificuldades que porventura surjam.
O reatamento das relações sexuais também são fonte de grande angústia do homem, visto ainda estar em estado regressivo. O temor de machucar a mulher ressurge com a mesma intensidade que na adolescência, o que causa grande insegurança na parceira por perceber este distanciamento como uma rejeição a si mesma.
Alguns homens se afastam da mulher por estarem ainda ressentidos pelo abandono sofrido durante todo o processo da gestação, o que lhes causou sentimentos de intenso ciúme e rivalidade para com o filho, tal como ocorrem quando nasce um irmão.
Outros, ainda, por sua história pessoal, modelos parentais ou culturais, vêem em suas parceiras apenas a imagem materna, o que tornam as relações sexuais inviáveis. Para outros, ao contrário, a parceira fica ainda mais sedutora, pois foi quem gestou seu filho, prova viva de sua virilidade.
A presença ou não do homem na sala de parto, é outra questão que surge e que depende do desejo e disponibilidade do futuro papai. Há homens que não se sentem à vontade para assistir o parto, pois além de revivenciarem a reatualização da angústia do próprio nascimento, teriam que suportar a culpa e responsabilidade, que muitas vezes surgem, ao se depararem com o que a parceira está vivenciando fisicamente. Outros assumem a tarefa sem dificuldade, funcionando como suporte emocional da mulher e de acolhimento ao bebê nesta sua vinda ao mundo aéreo.
Mas o direito de estar presente na sala de parto, não deve transformar-se em obrigação. Deve ser negociado entre o casal e decidido de comum acordo, o que é melhor para cada um.
Assim como a puérpera, o homem também experiencia a depressão pós-parto, temendo não ser capaz de assumir a nova família, de ser bom pai e, principalmente, temendo perder o lugar que tem junto à companheira, pois sabe que seu filho irá exigir toda sua atenção e cuidados nos primeiros meses.
Mas, essencialmente, o baby blues tem origem no trauma da angústia de separação da mãe e que se funda na cesura do cordão umbilical, no momento do próprio nascimento, que é reatualizado com profunda e intensa ansiedade.
De qualquer maneira, homem nenhum passa imune ao processo de gestação e do nascimento de um filho. Com a evolução dos estudos sobre a relação paterno-filial, desde a vida intra-uterina, muitos homens estão se conscientizando e assumindo a paternidade de modo mais responsável, valorizando a importância de sua participação na vinda e na vida de seus filhos.
Com isto, homens e mulheres poderão estabelecer vínculos mais solidários e sólidos, independentemente da sitiuação do vínculo afetivo, o que certamente irá produzir gerações futuras de crianças emocionalmente mais ajustadas, estáveis, seguras e, portanto, muito mais felizes.

Psicologia

Orientação Psicológica da Gravidez

É com enorme prazer que inicio esta coluna voltada para a preparação psicológica da gestante, com o intuito de possibilitar uma vivência mais equilibrada de todas as emoções e manifestações que ocorrem neste período.
Tão importante quanto o acompanhamento médico pré-natal é a assistência e orientação psicológica à gestante. Cada um contribuindo para a saúde física e mental tanto da mulher quanto do futuro bebê.
Por ser o período mais rico e intenso de vivências emocionais e que por si só traz, para o relacionamento familiar, novas atitudes e responsabilidades, percebemos como é fundamental o compartilhar e o esclarecimento das ansiedades e preocupações que envolvem a decisão de se ter um filho.
Embora nem sempre pensada e planejada de modo claro e explícito, pode-se dizer que, em algum momento da relação, a gravidez foi desejada para que pudesse se concretizar. Podemos pensar então, que antes mesmo da fecundação propriamente dita, o bebê já existia na cabeça dos pais ou de um deles e que culminou com o "esquecimento da pílula anticoncepcional, da revisão do cálculo da tabelinha ou até mesmo na impossibilidade de se interromper o ato sexual para colocação do preservativo".
Desta maneira, a criança é gerada e o bebê da cabeça cria vida, tornando-se real.
A partir do momento que a mulher certifica-se da gravidez, tudo o mais em sua vida será diferente. Seja qual for a decisão, de levá-la a termo ou não, esta repercutirá de modo marcante e profundo nas pessoas envolvidas. Quanto às circunstâncias, a gravidez pode acontecer num momento em que menos se espera e planeja, como é o caso de adolescentes que, ao iniciarem a vida sexual ativa, sem os cuidados preventivos necessários, acreditam que "isso" nunca vai lhes acontecer, ou mesmo de adultos que não se encontram numa relação estável, com intenção de compromisso. Além disso, existem aqueles que priorizam a carreira profissional antes mesmo de concretizar o desejo de constituir família. Em qualquer desses casos , a gravidez nesse momento pode ser inoportuna.
Ter um filho não envolve apenas uma decisão de momento, porém um compromisso para o resto da vida e é por este e outros motivos, que a balança do querer e do não querer estará sempre oscilando de um lado para outro.
Os pais se percebem mais vulneráveis emocionalmente e não encontram significado para suas questões mais profundas e remotas. Ocorre, então, um retrospecto à infância, como se regredissem até ela em busca de respostas. Neste momento, o modo como cada um percebeu e vivenciou sua família de origem, irá permear todo esse período de espera: as mesmas angústias e incertezas, as mesmas alegrias e esperanças. Assim, o modelo de pais que tiveram constituirá a base do que pretenderão ser. Imitando-o ou rejeitando-o, o modelo serão os pais de origem.
As fantasias sobre o bebê e como serão enquanto pais têm um significado absolutamente próprio para cada parceiro, pois têm a ver com a própria história de vida.
A mudança do papel social também é um fator importantíssimo a se ponderar. Durante nove meses estará se instalando, no casal grávido, uma nova identidade. Deixarão de ser apenas filhos para tornarem-se, também, pais. Novamente o modelo da família de origem entra em jogo.
A tendência em se fantasiar como pais perfeitos leva à expectativa de ter o filho perfeito, aquele que corresponderá à idealização de perfeição: o filho bonito, obediente, educado, estudioso, saudável e vitorioso. Tudo que fugir deste protótipo será percebido como um fracasso ou falha tanto pelos pais quanto pelo filho, o que poderá acarretar grande culpa. E aqui entra o maior terror da gestante, quer seja, a possibilidade de ter um bebê que apresente alguma deficiência. Se, por acaso esta ocorrer, mesmo que seja por uma questão genética, a culpa que carregará pelo resto da vida é realmente insustentável.
As dúvidas e os temores que suscitam nesse período são muito naturais e esperadas, pois toda mudança envolve perdas e ganhos. A quê deverão renunciar e o quê poderá ser preservado.
Sexualidade é outro tema que causa grande preocupação nos futuros papais, mesmo que tenha sido liberada pelo ginecologista que os assiste. É como se a relação sexual, após cumprir o seu papel mais importante que é a preservação da espécie, perdesse a função do prazer pelo prazer.
A hipersonia ou o aumento da necessidade de dormir toma conta da mulher, como se seu corpo precisasse de mais repouso e menos estímulos para se preparar para todas as mudanças físicas e psíquicas que se iniciam.
As instabilidades emocionais, num momento em que está mais sensível, fazem com que muitas vezes sinta-se incompreendida.
Náuseas e vômitos, desejos e aversões, constipação e diarréia também são sintomas comuns na gravidez, mas que também trazem consigo significados psicológicos a serem desvendados.
E o marido, como percebe todas estas manifestações e o que significam para ele, uma vez que também está se preparando para a paternidade e, desse modo, também se encontra vulnerável e à mercê de suas próprias angústias e questionamentos.
Tanto quanto o físico feminino estar maduro para abrigar o óvulo fecundado, é imprescindível que haja uma preparação emocional para acolher este novo ser.
Meu intuito neste artigo foi apenas dar uma breve pincelada nos vários temas que poderão ser abordados, no sentido de analisar o profundo significado das emoções e manifestações deste período, que pode ser o mais sublime na vida do casal, mostrando, desta maneira, que a gravidez pode ser vivenciada pelos futuros papais e mamães, com menos ansiedade e culpa e mais alegria e prazer.
Sejam bem-vindos!

Carinho

O colo da mamãe alivia a dor

Bebê sofre mesmo quando está com a saúde plena. O pequeno leva picada da seringa da vacinação, depois leva outra picadinha quando faz coleta de exames laboratoriais, às vezes na veia. Imagine só aqueles bebês que precisam mais do que apenas as vacinas e os exames de rotina.
Saiba que a dor, infelizmente, faz parte do processo para o bebê ficar bem. Mas agora a boa notícia.
Um estudo orientado por Ruth Gunsburg, professora do Departamento de Pediatria da Unifesp, constatou que um colinho de mãe em conjunto com solução glicosada a 25% (água com açúcar) pode diminuir a sensação de dor que o bebê sente nas intervenções doloridas.
Os indicadores de dor avaliados foram a mímica facial, frequência cardíaca e saturação de oxigenação e também foi avaliado o tempo de duração desses sintomas.
Para chegar à conclusão de que o colo da mamãe faz diferença, foram estudados quatro grupo de bebês quando estes tomaram a vacinação contra a hepatite B.
No primeiro grupo, foi oferecido à criança apenas a solução glicosada. No segundo, foi pedido para que as mães ficassem em contato direto com o seu filho na vacinação. Já o terceiro grupo foi beneficiado com os dois procedimentos: solução glicosada e colo de mãe. O último foi o grupo controle onde foi realizada somente a vacinação.
A explicação para a solução glicosada diminuir a sensação de dor é que a estimulação do paladar libera substâncias calmantes. O contato pele a pele com a mãe diminuiu a duração de resposta à dor e atenuou a experiência dolorosa.
Quero colo - Os efeitos benéficos no contato pele a pele com a mãe não têm uma explicação comprovada. Pode ser a liberação de substâncias calmante, conforme estimulação sensorial múltipla como ocorre entre mãe e bebê (o toque, o cheiro da mãe e o fato de o bebê neonato escutar os batimentos cardíacos maternos).
Esses elementos podem bloquear a chegada do estímulo da dor ao sistema nervoso central. A ciência ainda não achou a definição definitiva dos benefícios do colo, mas qual bebê que não resiste a um colinho aconchegante, com altas doses de carinho e afeto?
Dicas
Sempre que puder, esteja presente quando seu bebê tiver que passar por algum procedimento dolorido. Seja forte e lembre-se de que isso reduzirá a dor que o pequeno sentirá.
Não deixe de realizar procedimentos em seu bebê só porque é doloroso. Mesmo sendo doloroso é para o bem do seu filho.
Antes de qualquer procedimento, explique para seu filho o que irá acontecer e que vai estar com ele, mesmo que ache que ainda não entenda.

Amamentar

Leite empedrado não impede amamentação

Uma das maiores dificuldades encontradas pelas mães logo no início da amamentação é quando o leite “empedra”, deixando as mamas duras e causando dores o que dificulta a amamentação. Saiba que esse é um problema temporário, mas que deve ser solucionado para que não ocorra maiores complicações ou até mesmo o desmame precoce.
Mamãe amamentando o bebê
O ingurgitamento, conhecido como empedramento do leite, é um dos motivos que faz com que a mulher desista da amamentação, já que com ele aparece dor, fissuras no bico, febre local e até generalizada. Além disso tudo, existe a dificuldade de pega do bebê, que o faz chorar, deixando a mamãe nervosa. Com tudo isso, a mamãe acaba por introduzir o leite artificial.
O empedramento acontece por um simples motive. A mulher no início da amamentação produz mais leite do que o bebê precisa. Essa sobra de leite endurece, criando nódulos, prejudicando mamãe e bebê.
“Para conseguir minimizar o problema, o primeiro passo é amamentar em livre demanda, isto é, amamentar a hora que o bebê estiver com fome. Não é de três em três horas nem de duas em duas. É a hora em que o bebê tiver vontade”, explica a fonoaudióloga Jamile Elias.
Outra dica que a especialista em amamentação oferece é a massagem seguida da ordenha manual. Isso mesmo. Retirar o leite das mamas sem uso da bombinha. Primeiro a mamãe deve realizar a massagem em movimentos circulares com as pontas dos dedos indicador e médio sempre do bico para a base procurando os nódulos e mantendo a outra mão como apoio. Depois colocar os dedos indicador e polegar em forma de “C” no final da região areolar (e não no bico) e realizar movimentos rítmicos para a saída do leite.
Massagear e retirar o leite até a mama ficar mais macia e confortável para uma boa pega do bebê (abocanhar a aréola toda), em média 15 minutos.
Nessas horas, muitas teorias e supostas soluções infalíveis aparecem. Não leve a sério tudo que falarem. Por exemplo, o mito de que realizar compressas de água quente nos seios ingurgitados ou tomar banho com água quente. Pode ser que a primeira sensação seja de alívio, mas a água quente estimula a produção do leite. Ou seja, minutos depois as mamas estarão mais cheias do que antes.
Portanto, prefira compressas de água fria e banhos de mornos a frios. Consulte sempre um profissional.

Exames do RN


Teste do pezinho

Teste do Pezinho: para todos os bebês!
O exame laboratorial, chamado também de triagem neonatal, detecta precocemente doenças metabólicas, genéticas e infecciosas, que poderão causar alterações no desenvolvimento neuropsicomotor do bebê. Falemos numa linguagem mais simples. Esse exame é popularmente conhecido como teste do pezinho, pois a coleta do sangue é feita a partir de um furinho no calcanhar do bebê.
As mamães geralmente ficam com o coração na mão quando tem que levar seus bebês para o exame, pois estes normalmente choram. Mas por que a picadinha no calcanhar? O que as mães devem saber é que o calcanhar é uma região rica em vasos sanguíneos e a coleta do sangue é feita rapidamente com um único furinho. O furo é quase indolor, mas a dor ainda é uma sensação nova para o bebê e por isso choram.
Esse exame é realizado em grande parte nas maternidades quando o bebê completa 48 horas de vida. Antes disso, o teste pode sofrer influência do metabolismo da mãe. O exame também é feito em laboratórios.
O ideal é que o teste seja feito até o sétimo dia de vida. Basta apenas uma picada no calcanhar do bebê para retirar algumas gotinhas de sangue que serão colhidas num papel filtro e levadas para serem analisadas.
Prevenindo doenças graves - Para quem não sabe, o teste do pezinho é obrigatório por lei em todo o Brasil e a simples atitude de se realizar o exame faz com que doenças causadoras de seqüelas irreparáveis no desenvolvimento mental e físico da criança sejam detectadas e tratadas mesmo antes do aparecimento dos sintomas.
O diagnóstico precoce oferece condições de um tratamento iniciado nas primeiras semanas de vida do bebê, evitando a deficiência mental. A deficiência, uma vez presente no corpo, já não pode ser curada.
Existem diferentes tipos de exames do pezinho. O Sistema Único de Saúde (SUS) instituiu o Programa Nacional de Triagem Neonatal, onde cobre a identificação de até quatro doenças (fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, anemia falciforme e fibrose cística). Mas nem todos os Estados brasileiros realizam os quatro testes.
O Programa Nacional de Triagem Neonatal prevê três fases do teste do pezinho, em que os Estados devem se adequar. A primeira fase detecta as doenças fenilcetonúria e hipotireoidismo congênito. A segunda inclui a anemia falciforme, e a terceira fase a fibrose cística.
Versão nova do teste - Hoje já existe uma versão ampliada do teste do pezinho onde é possível identificar mais de 30 doenças antes que seus sintomas se manifestem. Mas é ainda um recurso sofisticado e bastante caro, não disponível na rede pública de saúde.
Mesmo assim, a versão ampliada do teste do pezinho é subdividida. Geralmente, quanto maior o número de doenças detectadas, mais caro é o exame. Existem ainda exames complementares que também podem ser realizados com o sangue do papel filtro do teste do pezinho.
O exame do pezinho é essencial para o desenvolvimento da saúde do seu bebê. Não esqueça que o exame convencional é obrigatório e gratuito. Exija sempre seus direitos e faça com que sejam cumpridos.
Dicas
Não esqueça de buscar o resultado. Qualquer alteração no resultado, leve para o pediatra examinar.
Não se preocupe se tiver que repetir o exame. O teste do pezinho exige repetição para esclarecer o primeiro resultado, quando suspeito de normalidade ou quando o teste é realizado antes de 48 horas de vida.
Um resultado normal, mesmo no teste ampliado, não afasta a possibilidade de outras doenças neurológicas genéticas ou adquiridas. O teste não diagnostica, por exemplo, a síndrome de Down.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

comentarios

  
Ai, que alívio!
O que fazer com a dor do parto?
'Mas eu tenho medo da dor, sabe? Não sei bem como vai ser isso de ter contração... Dizem que dói. Já ouvi falar até que é a pior dor que existe...'

Creio que a maior parte das mulheres, antes de parir, manifesta em algum momento algum nível de preocupação com relação às contrações durante o trabalho de parto. Será que dói? E se doer? Será que eu vou agüentar?

O modo como cada uma quer manejar a dor durante as contrações é um item importante do plano de parto e, para tomar decisões com relação a
isso, é importante saber que há mais de uma alternativa.

Mesmo correndo o risco de ser repetitiva e de dizer mais uma vez o que já foi dito por nós da rede Parto do Princípio em outros textos e em outros momentos, convém ressaltar aqui que a percepção com relação à dor é muito pessoal. E que seria interessante pensar em termos de contrações, mais até do que de 'dor'. Não, não estou negando que ter contrações e passar pelo trabalho de parto envolve algum nível de dor. Ela existe e seria um equívoco muito grande dizer que não. Mas cada uma, depois de passar pela experiência, é que vai poder dimensioná-la.

Quer ver uns exemplos tirados dos relatos que estão na seção Conte seu Parto?

'Eu sabia que quando a bolsa estoura as contrações apertam. E foi o que aconteceu. Elas ficaram bem próximas, mas a Ana Cris me lembrava que faltava muito pouco, pra eu aguentar esse finalzinho porque a dor ia sumir. O expulsivo seria só pressão e outras sensações. E assim foi.'(Meire Santos)

'Imaginei que fosse dar um salto enorme na intensidade da dor e eu fosse sofrer muito com a introdução da ocitocina. Mas não. Quando o trabalho de parto engrenou, senti um imenso prazer. A música tocando baixinho, as mãos suaves e o doce cantarolar da Cris: "Abre-te, Dani, Abre-te Dani, como as pétalas de uma flor..." foram as maiores dádivas até 5 centímetros de dilatação.' (Daniela Buono)

'Ela fez o toque e constatou 7cm, mas disse que o líquido havia ficado mais escuro e resolveu me colocar no cardio sei lá o que, para escutar o coração do bebê. Ali eu comecei a me desesperar, vi que ela ia me transferir. O psicológico com certeza influi, pois parecia que as dores tinham quintuplicado ali na hora. Ali, na mesa, deitada, me descontrolei e falava sem parar para a Rose (a enfermeira): "Rose, Rose, você sabe o que você vai fazer comigo, né? Vai me transferir e me farão uma cesárea! Rose, por favor, eu conheço casos de bebê com mecônio em parto normal, não faz isso comigo!"' (Daniela Oliveira)


'Eu vim para casa, e me senti bem mais calma aqui. Tomei um banho delicioso. Mas ao cair da noite veio a ansiedade... Ué, cadê as dores??? Por que não sinto nada??? Só contrações...regulares, mas sem dor. (...) Ele me examinou e constatou que eu já estava com 5 cm!!! Acreditam? E nada de começar as dores. Ele então disse que iria me internar, pois em breve eu teria o bebê. (...) Eu caminhava pelo banheiro e cada vez que vinha a contração corria para o vaso sanitário... Não sei porque, mas aquilo me dava um baita alívio. E a cada contração eu sentia jorrar um monte de líquido pelas minhas pernas. Eu estava descalça e era um pouco escorregadio, mas tão quente... Eu me sentia tão feliz por poder viver cada uma daquelas sensações sozinha, sem ninguém...' (Daniela Aragão)
Então, cada uma vai sentir de um jeito, que só vai ser possível saber na hora e, do mesmo modo, cada uma vai encontrar a sua forma de lidar com as sensações que as contrações vão trazer. O que eu proponho aqui é pensarmos em duas escalas que correm paralelamente: uma que é a evolução da intensidade das contrações (e, consequentemente, da intensidade da dor envolvida - seja ela de que tamanho for) e outra que é uma escala de possíveis intervenções para driblar e vencer essa dor.

Se eu perguntar para você agora 'O que você faz quando chega em casa, depois de um dia cansativo, com uma pontinha de dor de cabeça?', você vai me responder o quê? Creio que você não vá me dizer que se internaria num hospital para tomar uma anestesia geral. Então, a proposta é essa. Pensar numa gradação para dor que pode ser acompanhada por uma gradação nas intervenções para alívio da dor. Muito provavelmente, a maioria das pessoas que sentem uma pontinha de dor de cabeça ao final de um dia cansativo de trabalho consegue associar essa dorzinha ao stress, ao trânsito infernal na hora do rush, aos conflitos no trabalho. Há uma causa conhecida e ninguém associa de imediato esse tipo de desconforto com um tumor no cérebro ou coisa que o valha. Sendo assim, as respostas à essa dorzinha podem começar com tirar o sapato e a roupa, tomar um banho quente, ouvir uma música relaxante, comer uma comidinha gostosa, tomar um cálice de vinho, dormir ou namorar com o marido. E podem chegar, claro, até a opção de tomar um analgésico mais potente, caso o incômodo seja mais forte e não permita sequer curtir esses momentos relaxantes (e altamente prazerosos).

Foi só um exemplo. Porque sabemos que a dor que tem origem nas contrações do útero durante o trabalho de parto tem uma outra função e uma outra característica muito diferente das dores que refletem incômodos, agressões ou lesões ao organismo. É uma dor benéfica, digamos assim. Que diz respeito a um trabalho muito bonito e muito bem orquestrado pelo corpo para, a cada contração, estimular a abertura da passagem por onde o bebê vai sair naturalmente. E é uma dor que traz de brinde os intervalos para o descanso e a certeza de que, a cada uma que passa, é menos uma para o momento indescritível de ver seu bebê fazendo caretinhas gostosas no seu colo e pedindo seu peito. Vale a pena, não?

Mas a idéia das escalas é útil aqui também. Conforme vai aumentando a intensidade das contrações, há alternativas diversas de que podemos lançar mão para vencê-las e que podem ser organizadas também numa certa 'gradação de intensidade'. Eu acredito que pode ser útil enumerar aqui algumas dessas alternativas, lembrando sempre que muitas vezes é só a própria mulher, sentindo a contração, que vai achar a sua alternativa, adequada e eficiente para aquele momento e que pode variar desde uma mudança de posição até rezar com fé para um santo de devoção. Tudo é válido.

Vou fazer aqui um parênteses para explicar de uma forma bem sintética aquilo que conhecemos como ciclo 'medo-tensão-dor', só para justificar essa idéia de que quase tudo, por mais esquisito que pareça, pode ser usado como antídoto para a dor da contração. Esse ciclo é um modelo que explica como é que se dá a dor no corpo da gente e funciona mais ou menos assim: ter medo gera tensão, tensão aumenta a intensidade da dor e, principalmente, a percepção que a pessoa sob situação de medo e tensão tem da dor. Mais dor, mais medo. Mais medo, mais tensão. Ou seja, um ciclo vicioso em que uma coisa vai retroalimentando a outra. Esse é um modelo explicativo que tem fundamentação científica e que várias pesquisas já confirmaram.

Sendo assim, eu diria que lá no início da nossa escala de intervenções para alívio da dor vêm aquelas condutas que visam minimizar o medo e diminuir a tensão. Os equivalentes, no trabalho de parto, a 'tirar o sapato, a roupa e tomar um banho' lá do nosso exemplo da dor de cabeça no final do dia. Ter informações, confiar no processo, estar acolhida por profissionais e acompanhantes afinados com os seus desejos, ouvir palavras de encorajamento, não precisar passar por situações de stress desnecessárias e por aí vai. Podíamos dizer que esse é um primeiro nível de condutas para aliviar a dor, ou, mais que isso, preveni-la, de certa forma. É a segurança de estar num processo sobre o qual você tem controle na medida em que isso é possível. Isso não faz sumir a dor, mas pelo menos tenta evitar que você entre no tal ciclo medo-tensão-dor e possa administrar melhor as sensações do seu corpo.

Depois, viriam as intervenções não farmacológicas para alívio da dor, que têm uma íntima relação com o relaxamento (a diminuição da tensão de que falei agora há pouco), com a possibilidade de se entregar ao processo fisiológico que está acontecendo no seu corpo e também de 'distrair' os teus sentidos, desviando o foco da dor para outras sensações. São os banhos quentes, as massagens, as técnicas de relaxamento e de respiração, a presença de um acompanhante de confiança, o uso da música, o abraço carinhoso do marido ou da mãe ou de quem for, o cafuné etc.

O apoio empático durante o trabalho de parto e essas técnicas não farmacológicas de alívio da dor não são crendices, misticismos, frescuras ou apenas uma coisa qualquer que pode ser tentada, mas não tem embasamento científico. Muito pelo contrário, a maior parte dessas estratégias já foi muito bem testada e encontra explicações na fisiologia do trabalho de parto e parto.

São uma opção real e efetiva para aliviar a dor das contrações. Funcionam mesmo e ler relatos de parto nos mostra isso a toda hora. Todas as mulheres têm lá seu relato pessoal de que uma determinada coisa (ou a combinação de várias), naquele momento, aliviou a dor (seja a chegada do acompanhante que estava atrasado, o banho quente no chuveiro ou na banheira, a massagem nas costas etc.).

Há aqui um outro tipo de intervenções um pouco diferente, que diz respeito à liberdade para mudar de posição e caminhar. Se você estiver livre para assumir a posição que quiser, por mais esquisita ou incomum que ela possa parecer, muito provavelmente alguma hora vai conseguir achar uma mais confortável, em que você vai se sentir melhor. Há uma série de explicações diferentes para isso: pode ser porque daquele jeito você auxilia a mudança de posição do bebê, se ele estiver em uma não muito favorável; pode ser que você deixe de sobrecarregar uma área que já está mais 'cansada' (as costas, por exemplo, ou o baixo ventre); ou porque naquela determinada posição você ajuda o trabalho do útero contraindo etc.

Aí, chegamos então ao finalzinho da nossa escala, que seriam as intervenções farmacológicas para alívio da dor, ou seja, a analgesia (comumente chamada de anestesia mesmo). É possível lançar mão de uma anestesia peridural ou raqui durante o trabalho de parto, mesmo que o parto vá ser normal.

A anestesia é uma intervenção e, como tal, não está livre de riscos e, por isso mesmo, tem suas vantagens e desvantagens. O que é preciso saber sobre ela? Em primeiro lugar, é importante saber que uma anestesia aplicada no começo do trabalho de parto aumenta, e muito, a possibilidade de parada na evolução e, por isso mesmo, aumenta as chances de mais intervenções serem necessárias e também aumenta os índices de fórceps e cesárea.

Sendo assim, quanto mais no finalzinho do trabalho de parto ela for usada (se você sentir que ela é de fato necessária), tanto menor a chance de complicações. Isso explica pensarmos em termos de uma gradação nessas intervenções. Quando as contrações estão menos intensas, começamos lançando mão de estratégias mais simples (mas não menos úteis). E assim vamos conseguindo vencer as contrações conforme elas evoluem, sendo que seu bebê pode nascer sem que seja preciso utilizar uma medicação para diminuir a dor, só com ações não invasivas, não farmacológicas, mas muito, muito efetivas. Porque nenhuma intervenção, nenhum medicamento é inócuo, sempre traz consequências e, sempre que possível, se pudermos não usá-los, melhor.

No entanto, se tudo tiver sido tentado e você sentir que atingiu seu limite e que a dor está insuportável para você, a analgesia é possível e, se bem utilizada, pode ser benéfica. A questão é: ela pode ser utilizada se VOCÊ sentir que é necessária, no momento em que VOCÊ pedir e, de preferência, se VOCÊ já tiver passado pelas outras tentativas todas. O ideal é que, conforme a dor aumenta, se vá lançando mão de tudo temos à mão em termos de alternativas aos medicamentos e a analgesia ter seu lugar como último recurso.

Conversar com seu médico sobre isso, conhecer os tipos de analgesias, discutir o momento em que ela pode ser usada, exigir que seja o seu limite e a sua solicitação o termômetro para a aplicação desse recurso, essas são atitudes muito úteis para tentar garantir um uso realmente necessário.

O alívio da dor tem muitas caras e pode ser conseguido de muitas formas. Pensar numa escala pode ser útil para ter em mente que, quanto menos invasivas as estratégias escolhidas, menor a possibilidade de complicações em decorrência do seu uso. E o resultado pode ser supreendente mesmo da simples presença de alguém ao lado segurando na sua mão! Vale a pena tentar... E deixar o uso de medicamentos (que trazem riscos de complicações para você, seu bebê e seu trabalho de parto) lá no fim da escala, para o caso de você sentir que precisa mesmo.

nidicações

Serviço de Indicações

 
Não é fácil encontrar profissionais e instituições que pratiquem um parto mais humanizado. Na esfera da saúde privada, se levarmos em conta que a grande maioria dos hospitais ostenta taxas de cesárea perto de 90%, podemos concluir que médicos que fazem parto normal já podem ser considerados como sendo minoria (e aqui estamos nos referindo somente ao parto normal hospitalar!).
Atualmente temos uma parceria com uma Rede de Mulheres chamada "Parto do Princípio" e que atua também pela melhoria na assistência ao parto no Brasil. Por favor, visite o site da Rede: http://www.partodoprincipio.com.br e veja se eles possuem indicação de profissionais em sua cidade, médicos, enfermeiras obstetras, doulas, e outros ligados à assistência. A Rede Parto do Princípio trabalha através de Grupos de Apoio, e se na sua cidade houver um desses, você poderá ter uma ótima rede de suporte à sua disposição.
Uma outra forma de procurar, é visitar a maternidade onde você pretende dar à luz e perguntar quem é o médico que mais faz partos normais, e se tem algum que seja "diferente" e que goste de partos "diferentes". Geralmente não são médicos muito bem vistos aos olhos dos colegas, mas é um bom começo, caso você esteja pensando em um parto natural, sem intervenções, etc..
Pressione o plano de saúde, peça indicação de médicos que têm boas taxas de parto normal (não vai ser fácil, mas sem pressão, não há mudanças).
Se você pretende usar o sistema público, procure por Casas de Parto em sua cidade, ou então hospitais que receberam o título de Hospital Amigo da Criança ou então o Prêmio Galba de Araújo para humanização do parto.
Amigas do Parto

como parir,... e agora??

O Parto Hoje
Ter um filho hoje é uma tarefa heróica. As opções não são muito animadoras, se levarmos em conta o que nos é oferecido como "sugestões da casa"... Em vários lugares do mundo, o parto é visto de uma forma muito natural e simples, e nem por isso levianamente. Geralmente são os países com menores taxas de mortalidade materna e complicações no pós parto, como Japão, Holanda, Inglaterra, os países da Escandinávia, e outros tantos.
No Brasil chegamos ao auge da medicalização do parto, e nem por isso nossas taxas de mortalidade e morbidade estão diminuindo. Na maioria das maternidades privadas, as taxas de cesárea chegam a 80, 90 ou até 100%! As opções que se nos apresentam são poucas e  desanimadoras: quando não é cesárea, é um parto normal repleto de intervenções... Eis como eles acontecem geralmente....

CesáreaA cesárea, em muitas ocasiões, é a única opção para salvar as vidas de mãe e bebê. Mas nem sempre essa cirurgia tem sido usada dessa forma, haja visto as atuais taxas a que chegamos. Não parece razoável imaginar que 90% das pacientes de um determinado hospital tenham problemas para dar à luz...
Dentro desse quadro atual, a expectativa é que em qualquer fase do trabalho de parto, ou mesmo antes dele começar, o obstetra chegue à conclusão de que você deve fazer uma cesárea. Nessa hora, você deixa de ser uma parturiente, para ser uma paciente cirúrgica. Os cuidados com assepsia são redobrados. As complicações são mais possíveis por se tratar de uma cirurgia de grande porte, os riscos são maiores.Quando fica decidido que deve ser feita a cesárea, você é levada ao centro cirúrgico e é colocada na mesa de cirurgia. Você recebe a anestesia peridural sentada ou deitada de lado. Deita de costas novamente e os dois braços ficam presos a suportes laterais, para que não haja riscos de você contaminar a região aberta.
Um suporte é erguido à frente de seu rosto para aumentar a assepsia e para que você não veja a operação. O obstetra faz o corte em várias camadas até chegar ao útero. O anestesista ou o auxiliar empurra sua barriga por cima, enquanto o obstetra puxa o bebê pelo corte. O bebê é mostrado a você e levado para a sala de pediatria neonatal. O obstetra então deve fechar o corte e nessa hora é comum você receber uma pequena dose de sedativo para dormir nesse final de cirurgia. 
Você fica algumas horas em observação na sala de recuperação e depois vai para o quarto, para onde seu bebê é levado mais tarde para a primeira mamada.

  
Parto Normal na Rede PrivadaQuando escolhemos ter um bebê numa determinada maternidade, estamos sujeitas às regras daquele estabelecimento. Cada um tem seus protocolos, suas regras e diretrizes. Mas existem muitas coisas em comum nessas condutas hospitalares. Há uma grande preocupação em se evitar riscos, contaminações, e obviamente processos judiciais! Leia a descrição das condutas hospitalares mais comuns num parto normal.
O que se nota nas últimas decadas é que as maternidades privadas estão ficando cada vez mais parecidas com hotéis. Existem serviços de quarto, restaurante 24 horas, horário livre para visitas, lojinhas de conveniência, TV, frigobar, recepcionistas elegantes, berçários bem decorados, quartos pintados com cores delicadas, quadros nas paredes. Telões para anunciar a chegada dos bebês, sala de espera acarpetada com sofás de couro. São grandes empresas, cada uma procurando seu lugar ao sol nesse grande mercado que é o nascimento de bebês.
O grande drama, no entando, é que nessas mesmas maternidades, os índices de cesárea giram em torno de 75% até 90%. O que seria um lugar para a mulheres darem à luz seus bebês, virou um grande centro de cirurgias obstétricas. O evento natural tranformado em evento cirúrgico.

 
Parto Normal na Rede PúblicaA rede de saúde pública compreende hospitais do SUS, hospitais beneficentes e os universitários. Nessa gigantesca rede você pode encontrar desde tratamentos absolutamente desumanos e frios, até maternidades modelo com programas premiados de humanização do parto. Na somatória, existem menos vagas do que seriam necessárias para atender à população. É comum a mulher perambular por vários hospitais, em trabalho de parto, andando de ônibus ou taxi, em busca de uma vaga. Também é comum ela só ser admitida quando chega no período expulsivo.
Na grande maioria desses hospitais, o parto ainda é tratado da forma mais tradicional, onde depois de achar uma vaga, a mulher passa horas numa sala de pré-parto com mais outras mulheres, sem acompanhamento ou atenção especial, sem informação ou liberdade de movimentação. Quando chega a hora do bebê nascer, é levada à sala de parto, onde tem um tratamento impessoal e distante. Se grita ou chora, é recriminada. Leia um poema comovente descrevendo como é a sensação numa hora dessas...
Em grande parte desses hospitais as complicações são percebidas tardiamente, levando a problemas futuros para mãe ou para o bebê. O consolo é saber que existem brilhantes iniciativas pelo Brasil afora. Hospitais que atendem à população carente com carinho e atenção que lhe é devida. Locais onde cada mulher é tratada por seu nome, onde seus direitos são respeitados, onde sua saúde é decentemente cuidada, onde seus bebês são recebidos com dignidade.

  
A ALTERNATIVAVocê pode chegar à conclusão que não é assim que quer ter o seu bebê. Pode querer um novo prato que parece não existir nesse cardápio. Existe alguma outra forma de ter um bebê? Sim. Veja aqui.