Espirito Renovador
Ela dizia: Dói, dói muito, mas na hora que você achar que vai "morrer de dor", ela vai nascer...
segunda-feira, 3 de janeiro de 2022
domingo, 24 de julho de 2011
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Mae e bela
Existe, sim, vida e vaidade após a maternidade
Juntas de novo! Neste terceiro encontro vamos falar muito mais de nós do que dos nossos. Enquanto penso em nós (mulheres) e neles (os parceiros e os filhos) me dou conta que estamos em maio! E no nosso mês, todos lembram de nós... as mães! Que bom, vamos aproveitar porque comemorações quase sempre envolvem alto astral e ninguém está dispensando energia positiva nos dias de hoje. Parabéns, então, a todas nós, com nossas personalidades, perfis e diferentes caminhos.
Não há como tirar um tema da gaveta para a coluna enquanto os e-mails dos leitores chovem na caixa postal. Então, vamos unir a antiga idéia da colunista de não esquecer da bela mulher que somos antes, durante e depois da gravidez, com a história que a leitora Flávia Prista Santa Cruz nos mandou. Tema e personagem se encaixaram de primeira. Flávia é diretora de atendimento de uma agência de publicidade e tem um dia-a-dia agitado. É uma mulher prática, que ama a maternidade, mas que por conta disso não deixou de se cuidar, ao contrário, a experiência de ser mãe só aumentou seu desejo de se sentir bem e bonita. Seu bebê (a linda Carolina) nasceu há onze meses e Flávia se sente tão ou mais mulher do que antes. Põe em prática o que todas nós sabemos mas, por comodismo ou preguiça, não admitimos: existe, sim, vida e vaidade após a maternidade!
Conhecendo Flávia...
"Casei aos 31 anos e, para minha surpresa, já na cerimônia de casamento Carolina estava lá (com uns 5 dias de vida). Confirmei que realmente estava grávida de um mês, quando voltei da lua de mel... Sem dúvida, era o que faltava para completar a minha felicidade! Aliás, a nossa, pois meu marido e eu, sempre desejamos que nosso bebê viesse logo ao mundo!
Dividimos a nossa felicidade com irmãos, pais, avós, amigos e colegas de trabalho! A notícia foi uma grande festa, principalmente na família, pois dentre as minhas irmãs, faltava apenas eu - a mais velha - ser mãe.
Eu sempre fui uma mulher ativa. Trabalho diário e exercícios físicos todas as manhãs sempre fizeram parte da minha rotina. Durante a gravidez, não foi diferente... Todos os dias eu e meu bebê, Carolina, íamos a hidroginástica e em seguida, corríamos para o escritório onde ficávamos juntas trabalhando até a noite. Foi ótimo trabalhar com a minha Carolina na barriga! Os amigos de trabalho duplicaram a atenção comigo, todos sempre solícitos e cuidadosos com a minha saúde. Entre uma reunião e outra, eu e Carolina corríamos para o salão, pelo menos uma vez na semana, para que eu fizesse as unhas, sobrancelha, buço e... cabelo... Aliás, fiquei louca com meu cabelo, pois faço luzes e muitos diziam que eu não poderia continuar a pintar o cabelo durante a gravidez. Até que descobri uma tinta sem amônia e esta foi a solução para me manter super loira e poderosa como sempre!
A filha Carol
"Minha rotina é muito cansativa, trabalho com comunicação e eventos. Os eventos são esgotantes fisicamente... Não sabia se conseguiria me manter firme até os nove meses, mas tinha certeza que tentaria trabalhar o máximo que pudesse...
Firme, forte e bela fui até 37 semanas diariamente ao escritório. Depois, meu marido montou um home office para mim onde, de casa, mandava e-mails para os clientes e resolvia tudo o que fosse necessário.
No dia 10 de junho de 2006, com 38 semanas de gravidez, fui comemorar o aniversário de uma amiga em uma discoteca. Nossa, como a Carolina pulou! Acho que ela adorou o ritmo das músicas e as luzes coloridas do lugar. Naquele dia, falei para o meu marido que ela viria ao mundo... No dia 11, meu marido saiu para velejar de manhã e eu fiquei de cama com febre e me sentindo muito fraca. Peguei uma gripe e minha imunidade baixou. Na madrugada do dia 11 para o dia 12 de junho - dia dos namorados e dia em que comecei a namorar meu marido, Maurício, nasceu meu lindo bebê Carolina, de parto normal, sem dores e sem sofrimento. Eu sempre tive a certeza de que ela viria ao mundo de parto normal e procurei trabalhar isto na minha cabeça durante toda a gestação.
Hoje, minha "Lolipopi", como gosto carinhosamente de chamá-la, está com 11 meses. É linda, fofa, saudável e esperta. É como eu sempre sonhei e como eu sempre pedi a Deus. Agora está começando a balbuciar "mama" e "papa"... Cada sílaba que sai da sua boquinha é uma emoção enorme que bate no meu coração".
A profissão, o marido Maurício e... Auto-estima
"Eu me sinto muito feliz e muito realizada como mãe e mulher. Continuo como sempre fui, muito ativa e vaidosa. Trabalho; vou ao salão semanalmente; corro na esteira; faço aulas de ginástica, faço as compras, organizo a casa; oriento a Ana (babá da Carolina) e, principalmente, cuido da Carol e do meu marido, com muito amor, carinho e dedicação. Detalhe principal: ainda acordo à noite, duas vezes, para as mamadeiras noturnas... É cansativo, mas... Faz parte, a gente acostuma!
Ele, meu marido Maurício, fica louco comigo e acho que muito orgulhoso de ter ao seu lado uma "mãezona" e uma super mulher!"
Mãe também é mulher
Flávia é uma mulher comum e como todas nós trabalha muito para defender suas conquistas no mercado de trabalho, além dividir amor e atenção entre seu marido e sua filha. Na prática, os perfis de cada mulher que lê esta coluna são diferentes. Em comum é que cada uma de nós está sempre se dividindo em várias num só dia. Mãe também é mulher e tem que se gostar por essas duas coisas. Não dá para separar, nem tão pouco esquecer de uma em detrimento da outra.
Alertas de saúde e pequenas dicas de beleza
Exercícios
A professora de educação física e terapeuta corporal, Márcia Chaves, dá algumas orientações para quem acaba de dar a luz e já pensa em cuidar do visual. Mas vale lembrar que tudo tem seu tempo...
"Para iniciar uma atividade física, a mulher tem que ser liberada pelo médico. O tempo de resguardo pós-parto varia entre 30 a 40 dias. Uma vez liberada, a mãe deve começar com atividades moderadas. Nada de exercícios aeróbicos. Apenas atividades posturais e para o fortalecimento da musculatura do abdômen e bacia. Após 60 a 90 dias do parto, ela pode iniciar os exercícios aeróbicos, como caminhada e esteira. O fortalecimento postural feito anteriormente é necessário para que, quando iniciar efetivamente uma atividade física, ela não tenha nenhum comprometimento na coluna ou nas articulações. Mesmo assim, enquanto estiver amamentando, a atividade física deve ser de moderada a fraca, nunca máxima, porque se corre o risco de diminuir a produção de leite", aconselha Márcia.
Alguns médicos recomendam a drenagem linfática manual (que pode começar até mesmo antes do parto). Ela ajuda na redução de edemas (inchaço), a eliminar as toxinas, na regularização da circulação, no retorno do funcionamento do intestino e no auxílio e prevenção ao endurecimento das mamas.
Pele, unhas e cabelos
Aqui, a dica é procurar alternativas às substâncias químicas. "Enquanto estiver amamentando a mulher não pode fazer tratamento clínico, nem interno, nem externo - inclusive o laser (que é recomendado para varizes e pequenas manchas) porque pode trazer manchas irreversíveis . Não são recomendados também procedimentos invasivos e não se administra substâncias químicas. É importante também usar filtro solar", alerta Márcia. "As tinturas de cabelo também devem ser evitadas, prefira as não tóxicas. Uma boa solução para quem pinta o cabelo é fazer reflexo porque o uso da touca não deixa o produto em contato com a raiz do cabelo. É recomendável evitar, inclusive, esmaltes de unha", diz a especialista.
Quem não está amamentando também deve ter cautela
Mesmo quem não está amamentando deve ter cuidado dobrado. "As alterações hormonais propiciam grande sensibilidade dos tecidos e do organismo de maneira em geral. Tudo o que a mulher ingere ou se expõe pode ter efeito nocivo devido ao caos hormonal que ela está passando nesse período. A mulher está muito sensível, amamentando ou não. Até os hormônios se harmonizarem e o corpo voltar ao normal leva um tempo", esclarece Márcia.
Então, vamos respeitar.
Plástica
Dr. Eduardo Considera é cirurgião plástico e dermatologista. Ele lembra que é importante não interromper o período mínimo de amamentação (de seis meses a nove meses) antes de procurar um cirurgião de confiança. Medicamentos na corrente sanguínea da mãe passam para o filho através do leite: "O pós-parto é um período de dedicação total. Mas a mulher pode e deve se cuidar e se prevenir antes, durante e após a gestação".
Existem muitos métodos para modelar de novo o corpo. É preciso pesquisar muito sobre cada um e procurar um profissional competente e com referências. Fique atenta. O cirurgião entrevistado dá algumas dicas e explica um pouco sobre alguns procedimentos. Mas, lembre-se, isso é só para que você tome conhecimento das possibilidades. Aprofunde-se!
"A bioplastia e o botox são conhecidos como plástica sem cirurgia. São procedimentos minimamente invasivos e podem ser feitos após o período mínimo de amamentação. Atuam na face, no contorno do rosto e no queixo. A bioplastia também tem a função de empinar o bumbum. Se o problema da mulher se encaixa nesse perfil, ela pode procurar o cirurgião seis meses após o parto. Para procedimentos mais invasivos, tem que esperar de nove meses a um ano porque o corpo ainda está retornando a forma antiga. Neste período ela pode ir se planejando com cuidados com alimentação, por exemplo. Passado este tempo, pode partir para procedimentos com cortes como plástica no abdômen para retirar o excesso de pele ou a hidrovibrolipo (técnica que elimina depósitos de gordura localizada). Está apta também para colocar silicone para elevar a mama, por exemplo. Mas tudo isso depois de passar por exames detalhados", explica o médico.
Espelho meu
Ficar bonita é ótimo, mas não esqueça que pouco adianta cuidar da casca e esquecer o conteúdo. A beleza tem que ser nossa aliada e não um sofrimento. Vá à luta para ser poderosa e linda, mas também goste de você do jeito que é: pelo que pensa e pelos motivos que te leva a rir, chorar, vibrar, rezar, ouvir, dizer, calar...
Cuide-se sempre. Dentro e fora.
Dica de decoração
Como decorar o quarto do bebê?
Qual mãe não gostaria de preparar um lindo quarto para o nenê que chega ao mundo? Mas cuidado para não exagerar na extravagância. O bebê precisa sim de um ambiente aconchegante, e não um lugar cheio de cores.
“Não enfeite demais o quarto, o excesso traz confusão visual e acúmulo de pó”, analisa a arquiteta Carla Arigón Felippi.
Alguns pontos devem ser observados na hora de decorar um quarto. Primordialmente, o bebê necessita de um ambiente tranqüilo, especialmente nos primeiros meses, para lhe assegurar proteção de ruídos e de aberturas repentinas de portas e janelas.
Em segundo lugar, a área reservada ao recém-nascido deve ser de fácil acesso, para atender o bebê com rapidez quando necessitar. Uma boa opção para começar a decoração do quarto é planejando a distribuição dos móveis. Todos os móveis devem ser práticos e revestidos com materiais laváveis e resistentes, independente do estilo escolhido.
Uma dica importante da arquiteta: “Faça uma linha reta entre a janela e a porta do quarto para descobrir o caminho da corrente de vento. Posicione a cama ou o berço fora deste espaço. A partir daí, distribua o guarda-roupa e bancadas”.
Confira algumas dicas que podem ser de bastante utilidade:
a-) Poltronas podem ser de abrir transformando-se numa cama auxiliar, muito útil no caso de quartos para bebês. É importante acostumá-los em seu próprio quarto. Se você for dormir lá nos primeiros meses ficará mais fácil sair do quarto da criança, que estará ambientada. Claro que isso não é uma regra.
b-) Encostar a cama numa das paredes laterais, libera o meio do quarto e possibilita a montagem de casinhas, cabanas e trens que podem ficar montados de um dia para o outro!
c-)Paredes livres ou portas que recebem cestas de basquete e adesivos de amarelinha no piso estimulam o gosto por brincadeiras que exercitam.
d-) Beliches com escadas divertidas, descidas com tubos e almofadas coloridas pelo chão são toques bem humorados, que ainda economizam espaço.
e-) Procure evitar a instalação de videogames e tvs, quanto menor a exposição visual, menos a criança lembra deles! Dificulte o acesso!
f-) Equipamentos de som são interessantes neste cômodo, pois a música pode servir para marcar a hora do banho, do sono, do passeio, isso é muito importante para as mães se comunicarem com os bebês, que assim ficam sabendo a próxima atividade que será executada.
g-) Cores mais suaves que não agitam tanto as crianças, e são muito úteis na hora das brincadeiras tranqüilas, que diminuem o ritmo antes de dormir. Dimers regulam a intensidade de luz, já que luminosidade é outro item importante.
h-) Espelhos estimulam o desenvolvimento, pois a criança observa sua
movimentação, a fala e gestos; use-os colados na parede para eliminar riscos de quebra.
movimentação, a fala e gestos; use-os colados na parede para eliminar riscos de quebra.
”Tapetes de borracha antialérgicos, cortinas removíveis e laváveis, móveis sem quinas e piso revestido de vinil ou laminado plástico para evitar poeira completam o conjunto e oferecem segurança”, recomenda Carla.
Dicas
0 a 2 anos - O essencial para o quarto do bebê é o berço, cômoda (para ser utilizada como trocador e guarda-roupa) uma poltrona para amamentar, cesta para suporte, lixeira e uma iluminação adequada.
2 a 7 anos – O ambiente deve incentivar e motivar o desenvolvimento mental da criança. Habilitar o espaço com um local para o descanso, outra para as brincadeiras e uma área para guardar os brinquedos é uma forma de ensinar-lhe, desde pequeno, a se organizar.
7 a 9 anos – Aqui uma área para o trabalho é essencial. Uma escrivaninha em lugar bem iluminado, de preferência é junto à janela, mesmo que não tenha luz natural.
Introdução
Minha Gravidez Semana a Semana
Vamos apresentar um guia da gestante que traz informações sobre você e seu bebê durante toda a gestação, semana a semana.
Se você desejar poderá receber a evolução da sua gravidez em seu e-mail. Toda semana enviaremos o conteúdo referente a semana da gravidez que você se encontra.
Lembre-se sempre que cada bebê se desenvolve de uma maneira única, sua gravidez não será igual de sua amiga, por exemplo. São informações generalizadas do que normalmente ocorre em cada período da gestação. Nunca substitua sua consulta médica baseando-se somente às orientações deste guia. Use o guia para complementar a consulta com seu médico.
Por que sua conta nunca bate com a conta do médico?
O médico começa a contar desde o primeiro dia do último período menstrual (quando a mulher não sabe dizer o dia exato da concepção), ou seja, provavelmente duas semanas antes do óvulo ter sido fecundado. O cálculo também é feito por semanas, ao invés de meses. Por exemplo, 4 semanas é igual a 28 dias, que resulta em um mês lunar (aproximado). Diferente de um mês que você está acostumada, que em geral tem 30 ou 31 dias, o que dificulta a contagem. Portanto, para este serviço iremos considerar que a gravidez dura em média 280 dias ou 40 semanas.
O pré-natal é muito importante para que se tenha uma gravidez tranqüila e um ótimo desenvolvimento do seu bebê. A primeira consulta acontece quando você ainda suspeita da gravidez e segue por acompanhamento mensal, quinzenal a partir de 32 semanas, e semanal a partir de 38 semanas se tudo ocorrer sem problemas.
Conhecer as transformações e sintomas que ocorrem no seu corpo durante a gravidez é estar preparada para viver essa fase segura e tranqüila.
ATENÇÃO! A medida do bebê dentro da barriga da mãe, que será informada aqui, é a medida feita da cabeça do bebê até o bumbum (céfalo-caudal).
Quando chega a hora
O Pós-parto
O parto constitui-se num processo de transição que coloca um ponto final no estado da gravidez e dá início ao puerpério ou pós-parto.
Esta nova fase abrange um período de cerca de quarenta dias e se apresenta com características altamente relevantes para as pessoas envolvidas e, em especial, para a puérpera.
Durante os longos meses de gestação, a mulher foi se adaptando às transformações internas e externas que ocorriam lenta e gradualmente. Todos à sua volta eram-lhe solícitos aos seus desejos e cuidados. Ela era o centro das atenções.
Com o nascimento do bebê, nasce uma família. As mudanças são bruscas e tudo muda em sua vida. Ocorre, então, uma mistura profunda de sentimentos: alívio e euforia por já ter passado pela experiência do parto e por ter sido constatado que o bebê nasceu perfeito e saudável, o que aumenta sua autoconfiança por ter sido capaz de procriar bem.
Quando o bebê é apresentado aos pais, todas as atenções se voltam para ele. Muitas vezes surgem sentimentos de frustração com o filho, por ser diferente do idealizado seja pelo sexo ou mesmo pela aparência f'ísica. Ao olharem para aquele ser tão pequeno e indefeso, totalmente dependente e ainda desconhecido, é que os pais sentem o profundo impacto do compromisso assumido para toda a vida, o que os torna fragilizados e assustados.
A primeira angústia que surge na puérpera é quanto ao aleitamento, questionando-se se terá leite suficiente ou mesmo se o bebê aceitará a amamentação. Tais perguntas escondem a real preocupação que é a possibilidade de falhar como mãe, pois a maternidade é, agora, um fato consumado. Dessa maneira a permanência no hospital é sentida como apaziguadora, no sentido que proporciona à puérpera e seu filho toda a assistência e cuidados de que necessitam.
Mas chega o dia da alta hospitalar e, com ela, o retorno ao lar. O medo de assumir sozinha as responsabilidades para com o bebê, aumenta a insegurança materna. Além disso, as atenções especiais, as comemorações e visitas começam a diminuir, enquanto que as obrigações assumem proporções imensas. Novamente se intensificam as angústias quanto à maternidade. O medo de não corresponder à figura de mãe idealizada une-se ao temor de não saber cuidar do bebê gerando a possibilidade de que adoeça e morra.
Os primeiros dez dias do pós-parto são os piores. Com os seios inchados e doloridos e ainda sentindo dores se o parto foi cesárea ou mesmo normal, por causa da episiotomia (corte de cerca de quatro centímetros feito no períneo, antes do bebê nascer, para proteger os tecidos contra roturas e lacerações), o próprio estresse físico e emocional do trabalho do parto, a perda do ninho protetor que era o hospital, o não reconhecimento do próprio corpo, os deveres que a esperam, sem saber se dará conta, sua vida pessoal e profissional, tudo isso contribui para o aparecimento do baby blues ou depressão pós-parto. Neste momento, torna-se fundamentalmente necessário o apoio familiar e de amigos, que auxiliem e estimulem a puérpera a exercer suas atividades maternas, revezando-as com ela, para que também possa descansar.
O confronto com o corpo atual é um aspecto difícil a ser superado, pois já havia se acostumado com a imagem do corpo grávido. Embora vazio, não o reconhece como sendo o mesmo anterior à gravidez e em nenhum outro momento de sua vida. A abstinência sexual vem fortalecer o sentido de fealdade na mulher, de perda da sensualidade e do poder de sedução e que a leva, muitas vezes, a suspeitar da fidelidade do companheiro.
Outra grande angústia materna é o compartilhar do bebê com outras pessoas, inclusive com o próprio pai da criança, pois enquanto grávida tinha exclusividade na relação com ele, que era sentido como apenas seu. A perda da figura do obstetra é muito significativa. Sob seus cuidados durante toda a gestação, acolheu-a e acalmou-a nas horas difíceis, numa relação de extrema confiança que lhe dava segurança e proteção.
Muitas mulheres sentem-se desapontadas com seus companheiros, por acharem que não estão recebendo o apoio e carinho esperados, como também, por senti-los indiferentes ao bebê. Cabe, aqui, uma explicação fundamental. Por ser a mulher a fonte geradora, o vínculo entre ela e o bebê vai se estabelecendo com o decorrer da gestação, o que não acontece com o pai que, nesse período, percebe-se como mero espectador, muitas vezes até se esquecendo que também colaboraram para que a concepção ocorresse. Dessa maneira, o vínculo entre pai e bebê forma-se de maneira mais lenta, também porque de início, o filho é percebido como um grande rival, pois mobiliza todas as atenções e cuidados de sua companheira. Assim, muitos pais estarão se sentindo abandonados e necessitados de apoio e conforto, pois também se encontram angustiados e atemorizados quanto ao presente e futuro e se perguntando se serão capazes de prover e proteger a nova família. Muitos também apresentam dificuldade em reassumir a vida sexual ativa com medo de machucar a mulher ou por perceber o quanto se sente cansada e confusa com as novas responsabilidades, ou mesmo por estarem com ciúmes e inveja da íntima relação mãe-bebê, principalmente no momento da amamentação, quando se sentem excluídos da relação.
Decididamente, o pós-parto é um período muito delicado, porém riquíssimo em aprendizagens. Pais e filhos estarão exercendo a capacidade de se conhecer e de se reconhecer como família. Para tanto, faz-se necessário o principal aprendizado que é o sentido de doação, ou seja, que os pais doem a seu filho um lugar físico e psicológico, que antes era só deles, para que se sinta pertencente e acolhido emocionalmente pela própria família que o concebeu.
Fobias
Fobias do parto
A partir do terceiro trimestre ocorre um fenômeno da maior importância. Com todas as estruturas fisiológicas formadas e funcionais, a existência no espaço aéreo agora é viável para o feto, que se encontra em pleno e rápido desenvolvimento, ganhando peso e volume.
Há, então, uma alteração na dinâmica psíquica da gestante, pois com a possibilidade de vida de seu bebê, mesmo num parto prematuro, altera-se, também, a percepção que tinha dele e que lhe permite começar a pensar quando será o parto e como será.
No decorrer das semanas, o corpo da futura mamãe vai se avolumando mais e mais, provocando-lhe um intenso desconforto físico. Percebe-se mais pesada e lenta, sem energia e disposição para manter suas atividades habituais, também porque não mais encontra posição confortável para dormir.
Embora todas as gestantes sintam-se mais limitadas, as reações são diferentes. Enquanto umas descansam, ficando um tempo maior deitadas e inativas, outras continuam hiperativas como negando a gravidez, uma vez que a baixa de atividade geral, significaria aumento na angústia. Uma parte considerável delas continua exercendo suas ocupações profissionais e do cotidiano, embora exigindo maior esforço. Com esta realidade que se lhes apresenta, a proximidade do parto é um fato inegável e percebida com grande temor, embora a evolução da obstetrícia moderna tenha diminuído sensivelmente o risco físico tanto para a parturiente quanto para o bebê. Podemos aqui incluir a mulher cuja gravidez foi planejada e que no decorrer desta tenha adquirido um grande amadurecimento emocional, desejando a chegada do bebê. Ela também sente a angústia do parto, embora com um grau suportável.
Assim, mais uma vez a ansiedade se exacerba e os sentimentos são ambivalentes: a vontade de terminar a gravidez e ter o filho alterna-se com a vontade de prolongá-la para que possa fazer as adaptações internas e externas necessárias para acolher o bebê.
É que neste momento a angústia tem raízes mais profundas e inconscientes. Todos os temores vivenciados desde o início da gravidez se reatualizam, porque com o parto, a mulher terá a constatação se os momentos de dúvidas, questionamentos e incertezas não prejudicaram o feto e se realmente é merecedora de ter um filho saudável e perfeito, ou seja, aquele que ela vai
ter que mostrar ao pai, à família e aos amigos em geral.
ter que mostrar ao pai, à família e aos amigos em geral.
A angústia do parto é, talvez, a mais primitiva que se conhece, pois faz reviver o momento crucial em que ocorre a separação definitiva do corpo materno, quando do próprio nascimento.
A ansiedade mais expressiva que surge refere-se à data aproximada do parto: "quando será". Nesta questão, escondem-se outras: "como será o parto, como será o bebê, como serei enquanto mãe, terei condições de assumir o compromisso com esta nova vida..."
O conflito entre os conteúdos conscientes e inconscientes, que aparecem mais especialmente nesta etapa, facilita a revivência de conflitos infantis da gestante com seus pais de origem ou irmãos, que antes permaneciam reprimidos.
Desta maneira, surge a oportunidade de renegociar suas relações com a história familiar, encontrando novas possibilidades de solução ou então se intensificam os conflitos, o que certamente irá afetar a relação mãe-bebê.
Com os movimentos fetais, há, também, uma percepção maior das contrações uterinas, muitas vezes sobressaltando e atemorizando ainda mais a futura
mamãe.
mamãe.
Pouco antes do oitavo mês, pode se produzir a versão interna, que é o momento em que o feto posiciona-se de cabeça para baixo, à entrada do canal do parto.
A percepção deste movimento provoca, inconscientemente, uma intensa crise de ansiedade, cuja sensação consciente é de algo estranho acontecendo, podendo provocar certos processos somáticos, como: diarréias, constipação, aumento de peso excessivo, cãimbras intensificadas, crises de hipertensão e outros, cada um com seu significado psicológico próprio. O mais grave deles é o parto prematuro, quando as crises de ansiedade chegam a níveis insustentáveis. Não tolerando mais a situação ansiógena e precisando livrar-se dela com urgência, a dinâmica psíquica desencadeia o parto, funcionando como uma defesa ante a possibilidade de uma desestruturação psicológica.
Todos estes sintomas expressam, além do conflito, um pedido de ajuda e proteção por não conseguir suportar e elaborar a crise de ansiedade.
Vale dizer que os temores mais comuns que se expressam na gravidez apresentam um caráter de autopunição, do tipo: temor à morte no parto, à dor, incapacidade de criar bem o filho, ter leite fraco ou mesmo não conseguir produzir leite suficiente, parto traumático por fórceps ou cesariana, morte do filho, filho disforme... enfim, a gestante sente que não é capaz de defrontar-se com o parto e superá-lo.
Freqüentemente, nestes momentos de intensa crise, deixa de perceber os movimentos fetais, cuja vivência é extremamente dolorosa e angustiante, pois é associada à possibilidade de morte do bebê. Essa ausência de percepção deve-se à intensidade da angústia, bem como, pelo fato de o feto estar bem desenvolvido e não haver espaço intra-uterino suficiente para suas evoluções, além de que já existe certo grau de encaixamento.
É importante lembrar que não são apenas as primíparas a apresentar as fobias do parto. Por serem fobias profundamente enraizadas, ligadas à história da mulher, a esta gravidez, ao modo como sua mãe relatou o seu próprio nascimento, à história do casal e ao que ela espera deste filho, podem atingir as gestantes em outra gravidez e não necessariamente na primeira.
É muito comum as futuras mamães terem sonhos referentes ao parto, ao bebê, às alterações do seu corpo e às expectativas em relação a si mesma e ao bebê. O sonho tem uma função fundamental nestes casos, pois oferece a oportunidade de enfrentar antecipadamente a tensão do parto, numa tentativa de dominá-la, não devendo, porém, ser considerado como premonição, pois o verdadeiro significado só poderá emergir durante um trabalho analítico.
Atualmente, sabe-se que o futuro papai não fica imune às angústias durante a gestação de seu filho e elas também podem ser expressas através de sonhos e, muitas vezes, de distrações e esquecimentos, o que provocam grandes tensões entre o casal.
Por não ter com quem expressar o sofrimento que o atinge, ocorre de modo inconsciente e mais comumente do que se possa pensar, todo tipo de acidentes, depressão e comportamentos de fuga, como excesso de trabalho, novos interesses fora do lar e que atuam como uma forma de chamar a atenção e de reclamar o seu lugar, já que o ambiente imediato está às voltas com a gestante e esta com os preparativos para a chegada do bebê, tendo de lidar, também, com suas próprias ansiedades.
Um dos temores mais comuns é não saber reconhecer os sinais do parto e ser pega de surpresa. Assim, a qualquer sinal percebido como estranho, geralmente a gestante vai para a maternidade.
Os alarmes falsos têm duas funções tranqüilizadoras: além de permitir a liberação da ansiedade, funciona como um exercício da maneira como deverá se comportar no momento de ir para o hospital. Muitos homens aproveitam para cronometrar o tempo dispendido no percurso, pois o fato de saber em quanto tempo suas parceiras estarão sob cuidados médicos e hospitalares, acalma-os.
No caso de existirem outros filhos, estes devem ser preparados para a ausência materna, quando for ter o bebê. Utilizar-se sempre de palavras que expressam a realidade e que estejam de acordo com a compreensão de cada um. Mesmo as crianças de pouquíssima idade e até as que ainda não dominam o vocabulário conseguem captar o sentido do que vai sendo dito e isto as
tranqüiliza.
tranqüiliza.
No momento em que o parto se aproxima, o ambiente mais próximo, preferencialmente as futuras vovós, entram num estado de grande agitação, fazendo planos e oferecendo assistência e colaboração após o nascimento do bebê.
O modo como este movimento será interpretado pela gestante depende de sua história, principalmente na relação com a mãe nos momentos mais precoces de sua vida. Ela poderá se sentir mais segura e agradecida ou, ao contrário, encarar como um comportamento invasivo que vem para confirmar a sua incapacidade em exercer a maternagem adequadamente.
Muitas vezes o ambiente imediato não consegue funcionar como continente para todas as angústias, temores, ansiedades e culpas que despertam na futura mamãe, porque também estão revivendo, de forma menos dramática, é verdade, seus próprios temores frente à vida. Assim, a gestante se percebe muito só, sem apoio e proteção, completamente indefesa, o que, por certo, aumentará a angústia, podendo chegar à depressão.
Faz-se extremamente prudente e necessário a ajuda de um profissional capacitado que possa acolhê-la, orientá-la e reassegurar-lhe a confiança e o bem-estar neste momento de crise ou mesmo de todo o período gestacional.
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